O mercado das videntes deve ser lucrativo. Afinal, com o crescimento da cidade, influenciado pela industrialização da Região Metropolitana de Curitiba, o número de clientes deve estar em franco crescimento. Tanto que Elizabeth anuncia em inglês. Ela diz que é para atender os empresários das montadoras que agora moram na cidade. O melhor de tudo é que com o investimento internacional, algum dinheiro deve ir para elas. Aparentemente, as duas videntes visitadas pela Folha vivem bem. Em casas bem decoradas, pode-se encontrar carros novos estacionados.
Elizabeth cobra R$ 25,00 pela consulta, que devem ser depositados na mesa. O preço de Meire de Oxalá é de R$ 15,00, que rapidamente são embolsados. Essas taxas são pelo diagnóstico básico. Baseado no que elas predizem, pode ser sugerido o pagamento para outros serviços, como rezas e correntes para dar ‘‘firmeza’’ aos pedidos. Pela reza de trechos da Bíblia, como os Salmos, Meire cobra R$ 200,00. Elizabeth, mais sutil, sugere, pelo acendimento de velas e rezas, o repasse de R$ 150,00. A diferença de preços não prejudica o resultado dos serviços, afirmam as cartomantes.
Apesar da garantia de resultados, o delegado da Delegacia do Consumidor, Armando Braga, afirma que este tipo de prática não pode ser enquadrado como crime. ‘‘O interesse em se consultar é da pessoa, por isso não pode se classificar como exploração da má f钒, afirma. Ele aconselha a evitar este tipo de serviço, mesmo em momentos difíceis. ‘‘Não se pode afirmar que o prometido vai funcionar, por isso vale o bom senso de cada um’’, avisa.
Mas quando faltam parâmetros a quem se consulta, a situação, na avaliação da socióloga Maria de Lourdes Montenegro, fica complicada. ‘‘Por causa de uma hierarquização incorreta dos valores, onde o consumo prevalece, não é díficil ter pessoas angustiadas, sem esperança’’, diz. Maria de Lourdes identifica o crescimento do número de videntes como resposta à incapacidade de ter o inalcançável.
‘‘Pesa também, o fato de algumas pessoas terem perdido a ligação espiritual’’, diz. Anteriormente, prossegue a socióloga, todas as famílias seguiam, mais ou menos aferradas, uma religião. ‘‘Sem conhecimento básico dos princípios religiosos, fica fácil fazer uma salada de símbolos religiosos e esotéricos, enganando os incautos’’, frisa. (I.R.)

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