Mercado ilegal já vende passe mais caro
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quinta-feira, 29 de maio de 2003
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Enquanto a queda-de-braço entre Ministério Público (MP) e Prefeitura não se define, o passe de ônibus em Londrina está virando artigo de luxo no mercado paralelo. A expectativa de aumento fez sumirem os fornecedores dos vendedores de passe, inflacionando o preço. Hoje, a passagem está sendo vendida pelos atravessadores a R$ 1,30, apenas R$ 0,05 a menos que a tarifa oficial. Em tempos normais esse comércio tem uma diferença de pelo menos R$ 0,10 .
''O pessoal reclama mas a gente não tem opção, tá difícil encontrar gente vendendo e quem vende pede pelo menos R$ 1,20'', afirma a vendedora Vera de Lima. A colega de Vera, Márcia da Silva, relata que durante todo o dia comprou apenas 20 passes. ''Tem dias que faço 120'', diz.
Se falta quem quer vender, sobra quem quer comprar para fazer um estoque em vista do novo aumento. ''O problema é que não tem passe suficiente no mercado e a gente acaba ficando parado'', argumenta o vendedor Valdecir Aparecido Poloni.
Segundo cálculos fornecidos pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), nos últimos dias foram comercializados cerca de 889 mil passagens a mais que o habitual. Apesar dos guichês estarem mais calmos ontem, ainda havia muita gente procurando passes para estoque.
Poloni contrariou a prática de comprar passagens por valor menor e adquiriu 800 passagens no guichê, pensando no futuro. Hoje ele tem dúvidas se fez um bom negócio. ''E se não subir?'', questiona. A promotora de vendas Regiane Marques também apostou no aumento e comprou 20 passagens a mais neste mês. ''Uso cinco a seis ônibus por dia, isso pesa bastante no fim do mês. E se tivesse mais dinheiro comprava mais porque acho que vai subir'', afirma.
O procurador do município, Carlos Scalassara informou ontem que está analisando documentos e deve se manifestar nos próximos dias. A prefeitura aguarda apenas um parecer da Procuradoria que resguarde o Executivo das recomendações contra o aumento proferidas pelo MP para liberar o reajuste.
O impasse começou quando o MP considerou irregular o aumento de 18,5% na passagem do ônibus urbano, anunciado na semana passada, que passaria a custar R$ 1,60. Por conta disso, o reajuste está suspenso.
O promotor especial de Defesa do Consumidor, Miguel Sogaiar, através de comunicado oficial, reiterou ontem sua recomendação. No comunicado, ele frisa que a Promotoria está agindo dentro do cumprimento de seu dever constituicional e de fiscais da lei. Em entrevista coletiva anteontem, o presidente da CMTU, Wilson Sella, desqualificou a intervenção do MP, classificando-a como um ''pedido de informações de um cidadão respeitável''.


