A voz corrente no mercado financeiro, em todo o País, é que a CPMF foi um imposto ‘‘injusto’’ e ‘‘oneroso’’ para o setor.
As corretoras estimam que perderam clientes e que muitos investidores internacionais acabaram migrando para bolsas de valores de outros países, evitando o pagamento da taxa de 0,20% sobre as operações.
As corretoras de valores não sabem precisar qual foi o volume de operações que deixaram de ser feitas por causa da CPMF.
Não há mecanismos que possam medir essa fuga de capitais, mas durante o ano passado houve um aumento significativo nas operações realizadas em grandes bolsas de valores, como a de Nova York.
‘‘Por que uma empresa vai negociar nas bolsas brasileiras se a operação é 0,2% mais barata nas demais bolsas?’, questiona o presidente da Bolsa de Valores do Paraná, Abílio Peixoto Neto.
Radicalmente contrário à cobrança do imposto, Peixoto tacha a CPMF de ‘‘injusta’’ e ‘‘perversa’’. Ele lembra que a CPMF não tributa lucro nem ganho, mas o patrimônio pago pela movimentação.
Para Peixoto, as negociações no mercado financeiro são de alto risco sem garantia de lucro e muitas vezes resultam em prejuízo. O presidente da bolsa diz que ‘‘não há lógica’’ em pagar imposto sobre o prejuízo.
Mais cara A CPMF muitas vezes chega a ser mais cara que o custo de corretagem (cobrado pelas corretoras). Elas podem cobrar de 0,05% até 0,5% (índice para pequenas operações) dos investidores.
‘‘Para o investidor, a CPMF triplicou o custo de uma operação. Muitos preferiram ir para outros tipos de investimentos’’, afirma Peixoto.
No caso dos grandes clientes, segundo ele, alguns optaram pelo mercado financeiro no exterior.

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