A cobrança pelo uso do estacionamento em shopping centers em Curitiba foi autorizada em novembro do ano passado pelo Decreto Municipal 1.096/97. Apesar disso, mais de um ano após a publicação do decreto, apenas três shopping centers da cidade (Mueller, Estação Plaza e Curitiba) pediram o licenciamento na Prefeitura para fazer a cobrança. ‘‘É o próprio mercado que regula e decide sobre a cobrança do estacionamento de veículos nos shoppings, porque o decreto não obriga ninguém a cobrar’’, diz o secretário municipal do Urbanismo, Carlos Alberto Carvalho.
O decreto de 1997 revogou um anterior, de 1995, que assegurava a gratuidade do uso do estacionamento pelas duas primeiras horas. ‘‘Ao autorizar a cobrança sem restrições, o novo decreto evita a ingerência indevida do poder público num assunto que é estritamente privado e deve ser resolvido entre o consumidor e o comerciante’’, acrescenta Carvalho.
Os supermercados, observa o secretário, também podem cobrar pelas vagas em seus estacionamentos, ‘‘mas nenhum optou pela cobrança, possivelmente por questão de concorrência e mercado’’.
Satisfação - O diretor de Marketing do Shopping Mueller, Marcos Vilanova de Castro, diz que, após iniciada a cobrança do estacionamento, os clientes têm facilidade para encontrar vaga e mostram-se satisfeitos com isso. ‘‘O preço cobrado - R$ 2,00 por até três horas de estacionamento - está abaixo dos demais estabelecimentos ao redor do shopping. Nossa intenção não é ganhar dinheiro com a cobrança, e sim facilitar a vida dos consumidores. O Mueller sempre está aberto à conversação com os clientes’’, argumenta.
Villanova Castro lembra que Curitiba foi a última das capitais brasileiras a adotar a cobrança de estacionamento nos shoppings. ‘‘Nas outras cidades, a cobrança já faz parte da rotina dos consumidores.’’
Nos shoppings que passaram a cobrar pelo estacionamento, como o Mueller, pesquisas comprovam que a medida facilitou o trânsito de consumidores e coibiu o uso indevido das vagas. ‘‘Depois que passamos a cobrar pelo estacionamento, em junho, o fluxo de automóveis caiu 30%, mas o número de pessoas que frequenta o shopping permanece o mesmo - entre 25 e 30 mil pessoas por dia’’, diz o diretor de marketing.
Segundo ele, cerca de 500 das 1,5 mil vagas do estacionamento eram utilizadas indevidamente por pessoas que deixavam seus carros durante todo o dia e saíam para trabalhar. ‘‘Várias vezes fomos obrigados a bloquear a entrada de consumidores em horários de pico (hora do almoço e final do expediente comercial), para facilitar a saída de quem fazia o uso indevido.’’

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