Mercadão vira UBS improvisada
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terça-feira, 09 de setembro de 2014
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Londrina O antigo Mercado Municipal da Vila Casoni se transformou em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) improvisada para atender moradores da região central de Londrina. A utilização do espaço foi a saída encontrada pela Secretaria Municipal de Saúde para manter os atendimentos durante a reforma na UBS Bom Retiro, que fica na Vila Portuguesa, também no centro da cidade.
No mercadão, varais com lonas se tornaram divisórias das salas de atendimento. Por conta do improviso, a Vigilância Sanitária não autorizou nem mesmo a realização de curativos nos pacientes atendidos no local. Vacinas são transportadas em um isopor e precisam ser aplicadas no mesmo dia.
Quem é atendido não reclama das condições do espaço e agradece o esforço da equipe. "Eles estão fazendo de tudo. Se isso aqui fosse reformado ficaria ótimo, mas a gente sabe que é uma coisa provisória", comentou a aposentada Valdete da Conceição Silva, enquanto aguardava a consulta. "A gente sabe das dificuldades, mas, mesmo assim, eles conseguem dar uma atenção para a gente", disse o comerciante Américo Cardoso.
O improviso já dura mais de três meses. A reforma na UBS Bom Retiro seria concluída no dia 20 de agosto, mas a construtora solicitou a prorrogação do prazo. Os investimentos são de, aproximadamente, R$ 78 mil. De acordo com o secretário Municipal de Saúde, Mohamad El Kadri, a obra deve ser finalizada até a última semana de setembro. "Os atendimentos estão sendo realizados normalmente. Fizemos algumas adaptações para utilizar o espaço e evitar prejuízos maiores para a população, mas não temos interesse em permanecer no imóvel", resumiu.
Destino incerto
O antigo mercadão da Vila Casoni é administrado pela Companhia de Habitação de Londrina (Cohab). O espaço estava fechado desde agosto do ano passado, quando o único comerciante que permanecia no local foi morto em uma tentativa de assalto. Desde então, a Cohab estuda o que fazer com o imóvel inaugurado na década de 1960.
O diretor Administrativo Financeiro da Companhia, Claudemir Vilalta, explicou que o espaço foi cedido para a Secretaria Municipal de Saúde até o mês de novembro. As outras secretarias, segundo ele, não manifestaram interesse em ocupar o imóvel. "Já tentamos várias vezes retomar o mercadão, mas não há comerciantes interessados nos boxes. A intenção agora é licitar a permissão de uso do espaço como um todo para que alguém possa manter algum tipo de atividade no local", argumentou.
Conforme Vilalta, a venda do imóvel foi descartada neste primeiro momento. "Nos anos anteriores, a prefeitura chegou a vender o espaço sem autorização da Câmara de Vereadores e a venda foi cancelada. O dinheiro foi devolvido ao comprador que entrou com um processo por danos materiais contra a prefeitura. Enquanto essa ação tramitar na Justiça, não é possível vender o imóvel", detalhou o diretor Administrativo Financeiro da Cohab.
Para o gerente comercial Eduardo Bertier Rosa, que mora próximo ao mercadão, a reocupação provisória do local trouxe mais segurança para o bairro. "Tinha muito morador de rua que ficava ali no estacionamento. Com o posto de saúde, melhorou o espaço em volta. Se eles não ficarem por aqui, o espaço poderia virar uma creche. As mães precisam", afirmou.


