A tempestade que varreu Londrina na madrugada de ontem, com ventos de até 91 quilômetros por hora causou estragos na periferia, sobretudo nas regiões sul e leste. Algumas árvores foram derrubadas, casas ficaram destelhadas, a energia elétrica foi cortada em vários bairros e parte da cobertura do Mercadão do Povo, na zona leste, foi arrancada pelo vento.
Segundo informações do setor de agrometeorologia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), a tempestade foi causada pelo encontro de uma frente fria com a baixa pressão atmosférica da região. A zona leste de Londrina e o município de Ibiporã foram as áreas atingidas com mais intensidade.
Em Londrina, cerca de 25 mil consumidores de todas as regiões da cidade acabaram ficando sem energia elétrica. A queda do fornecimento, na maioria das vezes, foi causada por árvores que caíram sobre a rede, arrebentando cabos ou provocando curto-circuitos. No início da manhã de ontem, praticamente todas as ligações já haviam sido restabelecidas.
Mário CesarNo Jardim União da Vitória, várias casas foram destelhadas pelo ventoElsson Marcos Spigolon, da Superintendência Regional de Distribuição Norte da Copel, informou que dos 98 municípios atendidos pela regional, aproximadamente 30 foram atingidos pelo mau tempo, totalizando 85 mil consumidores sem energia elétrica durante a madrugada. ‘‘Começamos a trabalhar imediatamente e agora já estamos com toda parte de alta tensão sob controle e praticamente reposta. Restam as redes de baixa tensão e também alguns consumidores individuais. Até às 24 horas de hoje (ontem) esperamos que esteja tudo normal’’, disse Spigolon ontem à tarde.
Em Londrina, o maior estrago causado pelo vento foi no Mercadão do Povo. Por volta das 3h30 da madrugada, a estrutura metálica que cobria uma área de quatro mil metros quadrados foi arrancada, entortando as vigas de sustentação e arrebentando alguns fios de energia elétrica. Pedaços da estrutura metálica voaram e atingiram a cobertura que ficava ao lado. Três veículos que estavam no local - uma caminhonete, uma perua Belina e uma perua Kombi - também foram atingidos.
Segundo Orides Arantes, fundador do Mercadão, apenas o vigia estava no local na hora do acidente e ninguém ficou ferido. Ele estima o prejuízo em aproximadamente R$ 180 mil. O atual síndico do Mercadão, David Rossa, esclareceu que toda a área está segurada contra vendaval e incêndio. ‘‘O seguro já foi acionado’’.
Bairro Os moradores do Jardim União da Vitória, na zona sul de Londrina, sofreram com o vendaval. O Corpo de Bombeiros atendeu pelo menos dois casos de destelhamento durante a madrugada, mas o número pode ter sido maior, segundo os moradores.
Um dos casos atendidos pelos bombeiros foi o da residência do aposentado João Maria dos Santos, 68 anos, que mora no local com a esposa. Os dois acordaram quando o vento já estava levando o telhado do quarto, por volta das 4 horas. ‘‘O negócio veio que nem um furacão. O telhado ergueu e começou a cair tudo. A gente foi correndo para sala e ficou debaixo da mesa’’, contou João dos Santos. A esposa, Maria Pereira dos Santos, 52 anos, disse que viveu momentos de terror. ‘‘Pensei que fosse morrer, foi um susto muito grande. Agora não tenho nem vontade de entrar em casa’’.
Ontem de manhã, o casal contabilizava os prejuízos: muita água, barro e pedaços de telha quebrada dentro de casa, além da indefinição sobre como iria resolver o problema. A lona plástica instalada pelos bombeiros no telhado estava quase toda furada. Maria Inês Castro da Luz Nunes, 32 anos, duas filhas - moradora da rua Pastoral da Juventude, também no União da Vitória -, enfrentou situação parecida. Quase todo o telhado da casa foi arrancado pelos ventos. ‘‘Foi um barulhão, um vento que não tinha fim’’, relatou.
O vento destelhou a sala e o quarto das filhas de Inês e levou também algumas vigas de madeira que sustentavam as telhas. As três se protegeram na parte baixa da casa, que estava mais segura. Para lá também levaram tudo o que deu para salvar da chuva.
Vizinho de Inês Nunes, o desempregado Nelson Jorge, 43 anos, também ficou muito assustado com a violência da tempestade - que levantou o telhado e quebrou parte das telhas da casa. Ele mora no local com a mulher e três filhos. ‘‘Foi um susto danado’’, contou.

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