Mercadão Shangri-Lá festeja 30 anos
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sábado, 28 de março de 1998
Lúcio Horta 
Milton DóriaJeito de LondrinaFachada do Mercadão Shangri-Lá: no começo, comerciantes enfrentaram dificuldades. Mas quem ficou não se arrependeuLá você encontra de tudo: peixes, flores, pastéis, jornais, carne, artesanato, cerveja gelada, porções quentes e frias, frutas e verduras, arroz e feijão, gente andando de um lado para o outro. É impossível entrar e sair de lá sem encher os olhos ou ficar com água na boca. Final de semana, então, nem se fala: corredores lotados de fregueses e produtos que não acabam mais.
O Mercadão do Shangri-Lá, situado na zona oeste de Londrina, completa, este mês, 30 anos de atividade. E está mais vivo do que nunca. Ao todo, são 32 boxes com os mais variados tipos de produtos e que a cada dia vêm conquistando novos clientes. Sem também nunca esquecer, e cativar, os antigos frequentadores. Tem freguês, como o sitiante João Delalíbera, que há 30 anos não passa um dia sem tomar uma cervejinha gelada no local.
Isabel Onishi, da Casa Onishi e Sayano, tem orgulho de fazer parte do primeiro grupo de boxistas que ocuparam o Mercadão do Shangri-Lá. Ela lembra que no começo, em 1968, o local era afastado de tudo e de todos: tinha muito mato em volta e a única presença constante era dos soldados do 5º Batalhão da Polícia Militar, que ficava ao lado.
O Mercadão do Shangri-Lá foi construído para atender, naquele tempo, a um loteamento recém-inaugurado na região. Como incentivo, a Prefeitura liberou os comerciantes de pagar dois anos de aluguel de cada boxe. Isabela Onishi recorda que, para ocupar de uma vez só o prédio, os boxistas fizeram uma espécie de carreata que tinha de tudo: desde carros e caminhões até tratores e carroças. Cada um carregando seu produto do jeito que dava.
O problema é que nem todo mundo que comprou terreno na região construiu e virou morador na mesma época. Resultado: a região demorou alguns anos para ser efetivamente povoada e muitos boxistas não tiveram condições de ficar. Deixaram o Mercadão e voltaram a vender exclusivamente nas feiras livres da Cidade.
No começo era difícil. Poucas mulheres, por exemplo, dirigiam naquela época e não podiam comprar aqui, observa Onishi. Além da dificuldade do transporte, a comerciante lembra, com bom humor, que muito marido que gostava que a esposa fosse ao Mercadão fazer compras. O motivo: ciúmes dos soldados da PM que estavam instalados ao lado. Eu até gostava da presença do Batalhão, porque dava mais segurança para gente. Mas depois que eles saíram, dez anos depois, o movimento começou a melhorar.
Hoje, menos de dez boxistas do primeiro time permanecem no Mercadão. Mas quem ficou não se arrependeu. Tem gente que vai para o Exterior e compra produtos da gente: são caixas de maçã, bucha vegetal e outros produtos. O pessoal diz que lá no Japão ou nos Estados Unidos não tem igual, aponta. Na banca de Onishi, além da grande variedade de frutas, o cliente encontra também verduras, comidas japonesas, latarias e muitas outras coisas.
Quem também não se arrependeu de insistir no Mercadão do Shangri-Lá é Kiki Assada, que vende um dos mais tradicionais pastéis do bairro. Para mim foi muito bom porque cantina, mesmo, só tinha a minha. E eu fazia só a quantidade de salgados que vendia, não perdia nada. Mas fruta e verdura têm que estar sempre frescas e tinha gente que perdia, explica.
Kiki Assada lembra que até 66, antes da cantina no Mercadão, cuidava de um sítio e comercializava os produtos em feiras da Cidade. Em 68, quando foi para o Shangri-Lá, passou várias noites sem dormir. Motivo: de manhã ficava na feira, à tarde no mercado e de madrugada fazia os salgados. Viúva, ela tinha que fazer de tudo para poder criar os oito filhos. Fiquei um ano nessa vida. Graças a Deus os filhos sempre tiveram saúde e nunca adoeceram.
Já o casal Luiz Alberto Pozza e Yda Massaki Pozza não está desde o começo no Mercadão do Shangri-Lá. Mas foi possível, durante os 15 anos instalados no local, vendendo todo tipo de flores, criar um público cativo e ser uma das principais atrações da região. O cliente gosta de flores diferentes e aqui tem sempre novidade, aponta Yda. Só não dá para contar o número de espécies que a gente vende. São dezenas.
Com apenas dois anos de Mercadão, Kazuma Koga, conhecido como Marquinhos, também não esconde o sorriso para falar do bar que abriu no local. O lugar é bom para trabalhar e já deu para fazer freguesia. E o pessoal é bom, nunca teve briga, comemora Marquinhos. Ele conta que, além das discussões sobre política, o que mais escuta no local são piadas, o que revela o clima de descontração do Mercadão, principalmente aos domingos, quando fica aberto até o meio-dia. O povo fica à vontade e gosta de contar piada. Dá para se divertir bastante.
Serviço: O Mercadão do Shangri-Lá funciona de segunda a sábado, das 7 às 19 horas. Aos domingos, das 7 horas ao meio-dia.


