Josoé de CarvalhoEsgotadoO espaço do Mercadão do Povo já é considerado insuficiente para a demanda: são 88 boxes e uma frequência de 750 produtores por diaToda área onde está instalada hoje a Central de Abastecimento de Londrina (Ceasa), ocupando aproximadamente 10 alqueires na rodovia BR-369, saída para Ibiporã, poderá em breve ser vendida para o Condomínio Mercadão do Povo. Pelo menos é essa a proposta de Orides Arantes, síndico e fundador do Mercadão. No lugar da Ceasa seria montado um grande Agroshopping, com pavilhões cobertos para produtores rurais, 350 boxes de produtos hortigranjeiros e também lanchonete, posto de gasolina, farmácia, borracharia, creche etc.
‘‘Queremos fazer uma coisa moderna, de primeiro mundo’’, diz o síndico do condomínio Mercadão do Povo. Orides Arantes explica que a idéia surgiu porque o local onde está instalado o Mercadão, no Jardim Ideal (zona leste) - uma área de aproximadamente dois alqueires -, está com a capacidade física esgotada e não há possibilidade de ampliação. ‘‘Não tenho idéia de quanto seria gasto no investimento, mas somos um grupo grande, com mais ou menos 150 usuários, que poderia tornar possível o negócio.’’,
Inaugurado em 1986, o Mercadão do Povo conta hoje com 88 boxistas e uma frequência de quase 750 produtores. O empreendimento concorre diretamente com a Ceasa e foi praticamente responsável pela decadência da Central em Londrina, já que quase todos os boxistas e produtores da região migraram para o Mercadão. ‘‘Nós abrangemos um raio de 1.200 quilômetros e vem gente de todo o Brasil comprar aqui’’, aponta o síndico. Ele acrescenta que o negócio gera cerca de cinco mil empregos diretos e indiretos.
Josoé de CarvalhoSonhoOrides e a maquete do Agroshopping: ‘Coisa de primeiro mundo’
A Ceasa, por outro lado, está praticamente abandonada. Dos 146 boxes, apenas seis estão ocupados, tornando a estrutura ociosa e a manutenção cara para o Governo do Estado. ‘‘Lá é uma área que dá prejuízo para o Governo, por isso mandamos a proposta de compra’’, relata Arantes.
A proposta de transformar a Central em Agroshopping também agradou quem ainda resiste na Ceasa. ‘‘Veja que o espaço está praticamente perdido. O que nós mais queríamos seria essa unificação da Ceasa com o Mercadão do Povo’’, diz o comerciante Edson Manoel Sobrinho. Ele acrescenta que antes o movimento no local era até razoável, mas de dois a três anos para cá foi caindo até tornar-se insustentável. ‘‘Hoje os produtores carregam um trauma da Ceasa, porque de uma hora para outra a coisa mudou. Mas se fizerem um Agroshopping eles voltam correndo.’’
A queda no movimento da Ceasa é quase sempre atribuída ao excesso de burocracia e má administração. ‘‘Aqui tudo depende do Governo, até para trocar uma lâmpada’’, aponta Sobrinho. ‘‘O ramo só dá certo se administrado pelo próprio povo. Você não pode ser burocrata com o pessoal que vem da roça, inclusive porque o produto comercializado é perecível, estraga rápido’’, completa Orides Arantes.
Josoé de CarvalhoSatisfeitoMartini com outros comerciantes: mudança sem arrependimento
Essa situação fez outro comerciante, Mário Martini, desistir de permanecer com boxe na Ceasa e se instalar no Mercadão do Povo há dois anos. ‘‘Se eu tivesse ficado na Ceasa já tinha mudado de ramo’’, avalia Martini. Apesar disso, ele reclama que paga, só de aluguel, 16 salários mínimos para permanecer em dois boxes do Mercadão. ‘‘E tem gente alugando cada boxe por quinze salários. Com o Agroshopping, se dividirmos em 350 quotas, cada boxista vai pagar menos do que ele paga hoje. E por uma coisa que seria dele amanhã.’’
Outra queixa dos comerciantes que ainda permanecem na Ceasa é o desinteresse por parte dos políticos com a situação da Central. ‘‘Antes da eleição todo mundo veio aqui, dizendo que ia dar uma solução. Agora sumiram todos. Até agora não recebemos uma visita do prefeito Antonio Belinati, que na campanha prometeu ajudar a gente’’, acrescenta Edvânio Teles dos Santos.
Essa não é a opinião de Orides Arantes. Ele informa que tanto o prefeito quanto o vice-prefeito Alex Canziani, também presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), estão de acordo com a transformação da Ceasa em Agroshopping e que estão dando todo o apoio político necessário. ‘‘Mas a decisão é do Governo do Estado.’’
O gerente local da Ceasa, Oscar Oshiro, observa que a proposta de privatizar a Central não é a primeira apresentada pelo condomínio Mercadão do Povo. Ano passado, ele diz, foi formalizada uma proposta para que o condomínio administrasse a Ceasa em regime de comodato por 30 anos. ‘‘A direção da Ceasa concordou com a proposta mas, na última hora, eles pularam para trás.’’
Segundo Oshiro, a venda da área onde está hoje a Central deverá ser analisada pela diretoria, em Curitiba. Mas ele adianta que é um processo mais demorado. Isso acontece porque, por se tratar de um imóvel público, a venda tem que ser aprovada pela Assembléia Legislativa, com sanção do governador. ‘‘A discussão pode estar mais avançada em nível de diretoria sem que eu tenha conhecimento’’, observa.
Oscar Oshiro também culpa os produtores pelo fracasso de uma tentativa de revitalização da Ceasa, ano passado, como a cobertura do pavilhão para produtores - de 800 metros quadrados -, isenção por dois anos do aluguel do Termo de Permissão Remunerada de Uso (TPRU) para atacadistas e isenção por dois meses da taxa diária de uso.

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