Curitiba - Pesquisas, leituras e grupo de estudos. Conhecimento a respeito de normas científicas, leis, entrevistas, funcionamento de mecanismos e produção de artigos. Esta é uma rotina comum a pesquisadores, mestres e doutores, empenhados em descobertas e análises profundas sobre diversos temas. Em geral adultos, estes pesquisadores ganharam a companhia de jovens também interessados pelo mundo científico.
Eles têm 15, 16 anos, mas se comportam como gente grande quando o assunto é o conhecimento. O passeio experimental pela escola em uma cadeira de rodas mostrou aos estudantes Gabriel Tadeu Sanson, 15, e Bruno Abdala Cândido Lopes, 16, as dificuldades enfrentadas pelos cadeirantes nas ruas. Depois de algumas pesquisas, a possível solução que os adolescentes encontraram para os desafios à acessibilidade foi a criação de um dispositivo de baixo custo. Ele permite a subida das cadeiras no meio-fio, uma das principais queixas ouvidas pelos jovens nas entrevistas.
Durante a realização do trabalho, a dupla conversou com fisioterapeutas e cadeirantes e também conheceu as leis de acessibilidade. Estudantes do curso de Engenharia da Universidade Positivo (UP) deram dicas de como inserir um dispositivo nas cadeiras de rodas disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para que pacientes de baixa renda tenham acesso à tecnologia.
O projeto deu certo e agradou muitos cadeirantes. Além do trabalho, a oportunidade de conversar com os cadeirantes e os novos conhecimentos sobre leis de acessibilidade deram aos jovens Bruno e Gabriel uma experiência que será levada para a vida. ''Eu não parava para pensar nas dificuldades que os cadeirantes enfrentam'', lembra Bruno. ''O que valeu do projeto foi ajudar as pessoas. Mexeu bastante comigo'', fala, com orgulho e brilho nos olhos, o estudante Gabriel.
Para chegar a resultados tão expressivos, a preparação não é fácil. Os estudantes se empenham - e muito - em pesquisas, leituras e conversas com especialistas na área. Esta maratona de conhecimento também foi vivida pelos colegas Rhayssam Poubel Arraes e Susan Amaral, ambos de 15 anos.
Embasado em literaturas utilizadas no ensino superior, Rhayssam buscou respostas a uma dúvida que teve aos 13 anos. ''Tive a preocupação com o tipo de jovem que está sendo criado. Porque existe uma grande preocupação com o corpo perfeito, um erotismo cada vez mais cedo. Como o jovem está filtrando tudo isso?''
Foi assim que surgiu o projeto ''Mídia televisiva: mãe dos sete pecados''. A argumentação de Rhayssam é de que a televisão, presente na maioria dos lares brasileiros, exerce uma grande influência na formação de crianças e adolescentes, o que deveria ser amenizado com a participação dos pais. ''É uma ação conjunta, nos lares, com os pais orientando os filhos a filtrarem as informações e despertando o senso crítico'', explica.
''Você sabe o que acontece com um psicopata quando é preso?'', perguntou a um professor a futura psiquiatra Susan. A partir desta dúvida, a adolescente iniciou uma pesquisa sobre um assunto polêmico: o tratamento a psicopatas e maneiras de evitar que a doença se manifeste.
O projeto ''Interface entre Lei e Psiquiatria: é possível tratar a mente de psicopatas?'' mostra que predisposições genéticas ou eventos ocorridos durante o desenvolvimento podem causar o comportamento de um psicopata. Porém, segundo ela, esta doença pode ser evitada com a identificação de seus sintomas durante a infância. ''Existe cura e prevenção para a doença. A visão do psicopata é errada, a maioria das pessoas não tem ideia da definição de um psicopata'', defende Susan.
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