Biologicamente falando, o corpo humano só ‘‘pensa naquilo’’. Isto mesmo: sem filosofias, sem moralismos, a ordem é procriar para dar continuidade à espécie. E, neste trabalho incansável, a menstruação é sinal de fracasso. Pelo menos é o que defende o médico baiano Elsimar Metzker Coutinho, professor titular do Departamento de Ginecologia, Obstetrícia e Reprodução Humana da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia. Ele esteve ontem em Londrina participando do 2º Encontro de Disfunção Erétil do Mercosul, 1º Congresso Brasileiro de Disfunção Sexual e 1º Simpósio Brasileiro sobre Transexualismo.
Organizados pela Sociedade Brasileira de Medicina Sexual, os encontros estão acontecendo simultaneamente no Hotel Crystal Palace (centro). Os eventos terminam hoje.
Profissional de renome internacional, o médico gerou controvérsia ao afirmar que a mulher pode e deve passar a vida toda sem menstruar. Para evitar a menstruação, ele orienta que a mulher use a pílula anticoncepcional sem interrupção. Coutinho afirma que ‘‘natural’’ é não menstruar.
‘‘Se seguirmos a natureza, a mulher teria uma gravidez atrás da outra. A menstruação é resultado direto do controle da natalidade e não é prevista pelo organismo’’, afirma. Exemplifica afirmando que, quando a mulher engravida, fica sem ovular os nove meses; depois do parto, se amamentar a criança do jeito natural - quantas vezes a criança solicitar - também não volta a ovular.
Coutinho acusa os médicos que defendem a importância da menstruação como um processo natural e relevante sinal de saúde do organismo feminino, de estarem defendendo seu ganha pão. ‘‘Eles têm medo porque sabem que quando a mulher parar de menstruar seus consultórios vão ficar vazios de doentes’’, diz. ‘‘Se o seu médico precisa da menstruação para fazer um diagnóstico, troque de médico’’, complementa.
Segundo o médico, a menstruação é responsável por mais de 20 tipos de doenças entre as mulheres. Cita como exemplo a endometriose, doença que atinge 15% da população feminina sexualmente madura. Ele explica que esta doença é resultado do refluxo do sangue da menstruação para dentro da cavidade peritonial (abdome). Durante a menstruação, parte do sangue acumulado no útero para receber o ovo, sai pela vagina, mas outra parte acaba vazando para o interior do corpo, esclarece.
Além de provocar cólicas violentas, a endometriose dificulta e, em alguns casos, impossibilita a gravidez. ‘‘O corpo da mulher é feito para engravidar. A menstruação é um aborto de um óvulo que não foi fecundado. É uma agressão ao organismo’’, afirma. Ele reforça sua teoria informando que a menstruação deixa a mulher anêmica - algumas mulheres chegam a perder até meio litro de sangue durante o ciclo menstrual.
Coutinho garante que a amenorréia induzida - suspensão da menstruação por meios artificiais - não tem nenhum efeito negativo sobre o corpo. ‘‘Muito pelo contrário. Pesquisas mostram que, sem menstruar, a mulher tem 50% menos chances de desenvolver câncer de colo de útero e de ovário’’, afirma.
Autor do livro ‘‘Menstruação: Sangria Inútil’’, Coutinho é também o mentor da pílula vaginal ‘‘Lovele’’, que será lançada em maio de 99, no Congresso Mundial de Reprodução Humana, na Bahia. A pílula testada em 10 países tem o mesmo efeito que as tradicionais, mas com menos efeitos colaterais. ‘‘A inovação está na forma de aplicação do medicamento’’, enfatiza. Introduzida pela vagina, o medicamento não prejudica o fígado.
Outro lançamento, também criado pelo médico, na linha do ‘‘menstruação nunca mais’’, é um implante que permite a suspensão da ovulação e menstruação durante seis meses. O produto também será lançado durante o Congresso Mundial na Bahia, no próximo ano.

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