Mensagem do inconsciente
Érika Pelegrino
De Londrina
Os sonhos sempre estiveram envoltos em uma aura de mistério. A psicoterapeuta junguiana Cecília Helena Piraína Grandke aborda o assunto em um dos capítulos do livro Medicina do Sono, de autoria de Rubens Reimão, lançado em novembro do ano passado.
Ela inicia o texto falando sobre o mito de Nix, a noite, nascida do Caos na primeira fase do Universo gerando por partenogênese cinco filhos: Moro (Destino), Tánatos (Morte), Hipno (Sono), Momo e Hespérides.
Hipno, prossegue a psicoterapeuta, é irmão gêmeo de Tánatos e quer dizer aquietar-se. Deus do Sono é alado e percorre o mundo adormecendo todos os seres, com ramos de papoula de onde se isolou a morfina que carrega em suas mãos. Aliás, Morfeu era filho de Hipno e governava o mundo dos sonhos, ou ainda governa, pois, no inconsciente e nos sonhos, o passado, o presente e o futuro são intercambiáveis.
Citando a mitologia, a psicoterapeuta aborda a questão dos sonhos. Segundo ela, desde os primórdios da humanidade o sonho sempre foi um mistério e vários povos desenvolveram sua forma de abordá-lo e tentar entendê-lo. Alguns eram considerados premonitórios, em tribos eram contados em grupos e tinham um significado coletivo. Depois, foram considerados somente fantasias, só sonhos. Isso com a inauguração do racionalismo.
Porém, segundo Cecília Grandke, o culto aos sonhos sempre foi mantido. Na cultura grega, nos templos de Asclépio, o sonho era muito importante como processo de direção da cura. As pessoas dormiam no templo em um período chamado incubação e tinham um sonho que iria dar uma mensagem sobre a doença que afetava aquela pessoa.
Hoje, como afirma a psicoterapeuta em seu artigo, os processos psicoterápicos revivem em nova forma essa terapia do passado. Ela cita os psicanalistas Sigmund Freud e Carl Gustav Jung como contribuidores para a valorização dos processos inconscientes que podem ser manifestados em sonhos.
Cecília Grandke cita um sonho de uma paciente de Jung, contado por ele, relacionado à psicossomática. A paciente do psicanalista, durante o seu processo psicoterápico sonhara com uma amiga que havia morrido de câncer. Jung pediu a sua paciente que fizesse um exame completo, no qual a doença foi constatada.
Jung defende a idéia de que o inconsciente manda mensagens para a consciência através dos sonhos, baseada nesta linha Cecília Grandke cita em seu artigo uma frase de Jean Shinoda Bolen, psicoterapeuta junguiana em Nova York: Não dar importância a um sonho é como receber uma carta e não abrí-la.





