Menos tempo, mais responsabilidade
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quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Emerson Dias<BR> Especial para Folha 
Quem pensa que fazer um curso formador de tecnólogos significa estudar menos e sair com o canudo mais rapidamente que nas graduações convencionais se engana. Em alguns casos, os alunos estudam dois períodos do dia e ainda têm disciplinas aos sábados. A dedicação muitas vezes é recompensada pela inserção no mercado de trabalho antes mesmo de concluir todos os semestres e pela possibilidade de fazer pós-graduação normalmente.
''Os cursos tecnólogos têm, em média, pouco mais de 2,4 mil horas de aula. É praticamente a mesma carga horária de uma graduação com a vantagem de oferecer mais prática aos alunos'', explica Margarida Yamaguchi, coordenadora dos cursos de Tecnologia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).
O contato estreito com empresas, cooperativas e organizações como Sesi e Senai também atrai o interesse dos alunos por entenderem que é praticamente uma porta aberta para o primeiro emprego. ''Hoje temos uns 15 alunos do segundo ano que já estão trabalhando. O mercado já busca o profissional dentro da escola'', diz Eidy Tanaka Guandaeline, coordenador do Curso de Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) em Londrina.
Para implantar um curso tecnológico, não bastam estrutura, equipamentos e professores. É preciso aproveitar essa proximidade com o empresariado e pesquisar as necessidades da região. ''Todos os cursos abertos na UTFPR surgem a partir de levantamentos regionais. Aqui predomina o setor de agricultura e alimentos. Curiosamente, a UEL (Universidade Estadual de Londrina) possui mestrado e doutorado em Ciências de Alimentos e não tem graduação nessa área. Aí está o nicho'', detalha a professora Margarida, referindo ao curso de Tecnologia em Alimentos criado em 2007. Até agora, duas turmas se formaram e a maioria dos ex-alunos estão em grandes indústrias, frigoríficos e cooperativas ou fazendo pós-graduação e pesquisas na UEL.
A PUC Londrina também promove incentivos. Ajuda no encaminhamento de estudantes a estágios remunerados e também oferece desconto na pós-graduação (em Curitiba) para quem continuar na vida acadêmica. ''O melhor aluno de cada turma recebe bolsa de 100% para fazer pós. Tivemos um aluno carente que se formou por meio de incentivos nossos, está agora no mestrado e conseguiu um emprego na capital onde ganha R$ 4 mil'', exemplifica Guandaeline.


