Muito já se sabe que o sal é um grande vilão para a saúde, mas evitá-lo ainda é um hábito de poucos. A partir dos próximos meses o consumo do sódio deverá ser facilitado porque os brasileiros passarão a adquirir produtos com menos teor de sódio direto da prateleira do supermercado. A medida é o resultado de um acordo entre o Ministério da Saúde e a indústria alimentícia, firmado na última semana.
O compromisso das indústrias é de reduzir gradualmente a quantidade de sódio de pelo menos 16 tipos de alimentos, em especial massas instantâneas, pães e bisnaguinhas, que devem sofrer uma redução de até 30% em cada mercadoria em comparação com o que é produzido atualmente. Hoje, cada 100 gramas de macarrão instantâneo produzido no Brasil apresenta entre 2.036 e 4.718 miligramas de sódio. No Canadá, a média de sódio é de 926,9 miligramas a cada 100 gramas do produto.
Dados do Ministério da Saúde apontam que o brasileiro consome, em média, 9,6 gramas diárias de sal. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que consumo máximo não ultrapasse 5 gramas diárias. O excesso de sal na dieta está associado a maior risco de doenças como hipertensão, problemas cardiovasculares, renais e cânceres.
Retenção
O médico cardiologista Marco Antonio Fabiani, de Londrina, avalia a medida com otimismo e afirma que com a redução do consumo do sódio a população passará a sentir gradualmente o reflexo na qualidade de vida. ''O problema mesmo é o cloreto de sódio, o sal de cozinha e os produtos industrializados que trazem grande quantidade dele. Existem estudos norte-americanos que dizem que se você reduzir o consumo diário para apenas 3 gramas de sódio o impacto disso na saúde seria como se a metade da população americana fumante parasse de fumar'', diz.
Ainda segundo o médico, o sódio aumenta os riscos de acidente vascular cerebral (AVC) mesmo naqueles indivíduos que não sofrem de hipertensão arterial. ''O sal ocasiona uma grande retenção de líquido no organismo aumentando a pressão nas artérias, o que é uma lógica muito simples. Por isso o consumo excessivo de sal tem um impacto muito grande na saúde da pessoa. É preciso que as pessoas passem a consumir menos e também a evitarem a adicionar o sal nos alimentos'', finaliza. (Com Agência Estado)

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