Menos frutas e verduras, mais riscos cardíacos
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quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Vítor Ogawa <br>Reportagem Local 
A melhoria do poder aquisitivo do brasileiro e as mudanças dos hábitos de consumo contribuem para o aumento de doenças cardíacas no Brasil. Pesquisa realizada recentemente pelo Ibope apontou que 76% dos entrevistados afirmaram não consumir as quantidades mínimas de frutas e verduras indicadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Por outro lado, o aumento do consumo de carnes, embutidos e produtos industrializados está aumentando, o que contribui diretamente para o aumento de riscos à saúde cardíaca.
O médico cardiologista do Hospital do Coração de Londrina, Ricardo Calil de Paiva, afirmou que a média recomendada pela OMS é de 30 a 45 gramas de fibras diárias. ''Pela OMS, a pessoa deve ingerir 200 gramas de frutas e 200 gramas de verduras por dia, divididos em três ingestões'', afirmou.
De acordo com o cardiologista, atualmente a população em geral abusa dos alimentos industrializados, do álcool, do sódio (sal) e das gorduras. Isso, associado a hábitos como o tabagismo e o sedentarismo, eleva cada vez mais os riscos de doenças como hipertensão arterial, diabetes e colesterol alto. ''Essas três doenças são conhecidas causadoras de infarto do miocárdio, derrame (acidente vascular cerebral) e arterosclerose periférica, aumentando a mortalidade do paciente'', ressaltou.
Calil acrescentou que o consumo de sal em excesso, oriundo principalmente desses alimentos industrializados, está alto no Brasil. ''O consumo de cloreto de sódio recomendado pela OMS fica entre 2 e 5 gramas, no entanto o brasileiro atualmente consome o dobro disso'', apontou. Ele reforçou que a diminuição de sal para os níveis recomendados pela OMS pode reduzir a pressão arterial sistólica de 2 a 8 mm/hg.
O cardiologista apontou que as pessoas aumentaram a procura por fast food e alimentos industrializados que são ricos em colesterol e ácidos graxos saturados, como leite integral e seus derivados, leite de coco, vísceras, embutidos, pele de aves e frutos do mar. ''Ao mesmo tempo houve uma diminuição da ingestão de ácidos graxos polissaturados e monossaturados'', observou. Os polissaturados podem ser encontrados nos óleos de soja e de milho e peixes de água fria, como a cavala, sardinha e o salmão. Os monossaturados estão presentes nos óleos de oliva e de canola, nas nozes, castanhas e nas amêndoas.
Em relação ao álcool, o médico destacou que a ingestão crônica aumenta a pressão arterial sistólica de 2 a 4 mm/hg. ''A recomendação da OMS é de no máximo 30 gramas de etanol em um dia para os homens e de 15 gramas de etanol em um dia para as mulheres, mas esse consumo deve se limitar a apenas uma ou duas vezes por semana'', aconselhou. Para referência, 30 gramas de etanol são equivalentes a duas latas de cerveja ou duas taças de vinho ou duas doses de 50 ml de uísque.
O cardiologista destacou que, mesmo em um restaurante que oferece comida por quilo, as pessoas acabam optando pelo consumo de carnes vermelhas e frituras e deixam de lado as verduras, quando a lógica deveria ser inversa. ''Mesmo com toda aquela diversidade, as pessoas estão fazendo opções erradas. O Brasil está caminhando para ser o País campeão em doenças cardiovasculares'', alertou.
Calil recomendou às pessoas que façam uma avaliação com um profissional qualificado para saber qual a dieta e quais as recomendações para cada perfil, primeiro buscando acompanhamento nutricional e depois um acompanhamento médico.


