Menores vão fazer tratamento
As menores S.M.F., 13 anos, V.L.M.F., 12, e E.E.E.G., 17, serão encaminhadas depois do Carnaval para tratamento em clínica especializada na recuperação de dependentes químicos. A decisão foi tomada ontem pela promotora Patrícia Cristina Grilli, da Vara da Infância e Juventude de Sarandi (7 km a leste de Maringá), depois de ouvir os depoimentos das três meninas sobre a morte do frentista Vaílton Gutierrez Machado, 29 anos.
No final da madrugada da última quarta-feira, as três meninas pediram ao vigia Antônio de Souza, 63 anos, do Posto Garbuggio, na entrada de Sarandi, para tomar banho. Segundo o gerente do posto Antônio Vítor Pereira, o vigia estava saindo da guarita, onde também fica o caixa, para marcar seu cartão de ponto, e o frentista Gutierrez estava chegando para zerar as bombas de combustíveis e dar início ao seu trabalho. Souza carregou o revólver calibre 38 consigo durante toda a noite, e antes de sair da guarita (um cubículo cercado de vidro de 3x4 metros quadrados) guardou a arma numa gaveta sem chave e deixou a porta aberta.
A menina de rua R. disse à promotora Patrícia ontem que é muito enxerida e que abriu a gaveta, pegou a arma e a segurou com as duas mãos. O frentista viu e saiu correndo em direção a ela gritando: Não mexe que isso não é de brincadeira. Ela teria se assustado, se virou em direção a Gutierrez, segundo os depoimentos dela ao escrivão Rubens Jacovós e à promotora. A arma disparou, eu não quis apertar o gatilho e nem matar ninguém, disse. Também ontem o escrivão ouviu o depoimento do vigia Souza e mudou seu relatório à Promotoria, dizendo que não houve intenção de roubo, primeiro porque nada foi roubado e depois porque ela mesma chamou a polícia.
Jacovós explicou que no caso de menores não existe inquérito e sim um procedimento especial de menor para apurar ato infracional, que fica sob a responsabilidade do promotor da Vara da Infância e da Juventude. A presidente do Conselho Tutelar de Sarandi Maria de Lourdes Floriano Pita disse à Folha que as três deverão ser internadas em clínicas de Londrina ou Curitiba (depende de vagas), pois são dependentes de drogas. O que houve foi um disparo acidental, disse ela.
Maria de Lourdes lembrou que já tentou de tudo para fazer com que as três voltassem para a escola. Nada deu certo, elas sempre voltavam para as ruas. A menor E., de 17 anos, que estava no posto com as irmãs S. e V., não sabe ler e nem escrever. Assinou seu depoimento à promotora com a impressão digital.Marcos NegriniO gerente Pereira na guarita onde estava a arma que matou o frentistaMarccio W. Varella





