Três garotas de 13 e 14 anos se ofereceram como informantes no esclarecimento da morte do vendedor e pastor licenciado José Idalécio Bueno. Elas afirmaram à imprensa essa semana que presenciaram a violência dos policiais contra Bueno, morto no domingo quando voltava para Ibiporã. Ele teria sido espancado na frente do filho Rodrigo, 13 anos, e da mulher, Mara.
As meninas contam que voltavam da casa de uma amiga, a pé, quando viram a cena e se aproximaram dos carros, em frente ao Posto Rodoviário. Elas disseram que os policiais batiam por todo o corpo do pastor, chutavam a barriga e usavam o revólver para bater na cabeça dele. O pastor, segundo elas, pedia socorro. Uma das meninas afirmou que Rodrigo, filho da vítima, chegou a ser ameaçado pelos policiais quando pedia para que parassem com aquilo. Segundo a garota, um dos policiais pediu para o garoto parar ou ‘‘morreria junto’’.
As menores estiveram na delegacia de Ibiporã anteontem, mas como o inquérito estava no Fórum, sendo analisado pelo Ministério Público, elas acabaram não passando as informações à polícia. O inquérito foi despachado ontem pelo juiz criminal, Fernando Silva Gonçalves e está sob responsabilidade do delegado do 1º Distrito Policial de Londrina Edmo Hermenegildo, designado especialmente para o caso.
Amanhã, parentes e amigos de Bueno farão uma manifestação pública em Ibiporã, em sinal de repúdio à agressão. O caso também causou indignação no governador de Pernambuco Miguel Arraes, presidente do Partido Socialista Brasileiro. Ontem, ele encaminhou telegramas ao governador Jaime Lerner e ao secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, pedindo providências imediatas para apurar as responsabilidades e punir os culpados pelo caso.
Seis militares estão envolvidos no espancamento. O sargento Teófilo é apontado como pivô. Ele afirmou que Bueno estava embriagado e dirigia o Opala em ziguezague pela BR-369. Laudo do Instituto de Criminalística revela que o carro estava com defeitos.

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