Menores terão oficina de cidadania
Até novembro do ano passado, o 2º Distrito Policial de Londrina também abrigava os menores infratores, através do Serviço de Triagem e Recepção de Menores (Setrem). O atendimento, porém, era precário, e as dificuldades para cumprir o Estatuto da Criança e do Adolescente eram várias. No dia 1º daquele mês foi inaugurado o Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi), Jardim Pérola (zona leste), mantido pelo Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp).
Por enquanto o Ciaadi funciona apenas com o Serviço de Atendimento Social (SAS) e com a Delegacia de Menores no período comercial. A principal função, segundo o coordenador Márcio de Jesus Filla, é fornecer ao juiz as informações técnicas sobre cada adolescente, garantindo a sentença mais adequada para cada um. Além de desenvolver um trabalho articulado com outros serviços destinados a adolescentes e núcleos de terapia familiar, o centro mantém convênio com a Universidade Estadual de Londrina (UEL), nas áreas de direito e serviço social.
Segundo Filla, já foram implantadas oficinas de sexualidade e em breve, os internos serão submetidos a oficinas de cidadania, ministradas por profissionais de áreas diferentes. Cada adolescente infrator é mantido no Ciaadi por no máximo 45 dias. Em seguida são encaminhados para a Unidade São Francisco, em Curitiba – no caso de crimes hediondos –, ou liberados com medida sócioeducativa determinada pelo juiz.
A maioria dos que ocupam as 14 celas da ala masculina (ontem não havia nenhuma garota nas quatro celas da ala feminina) já esteve outras vezes no centro, onde recebem atendimento pedagógico, de serviço social, psicológico, jurídico e médico. Vários confessam que roubam para comprar drogas.
H.R.P, de 17 anos, conta que é a quarta vez que é encaminhado para o Centro. Ele foi preso por tráfico de drogas e roubo. O adolescente não tem mãe nem pai e diz que vive nas ruas. ‘‘Aqui, o pior de tudo é ficar trancado. Também escutei muita coisa que acho que não precisava ter escutado.’’ Agora H.R.P será encaminhado para um clínica de recuperação em Rolândia.
Um dos casos mais graves no Ciaadi atualmente é o de V.S., 17 anos, preso por latrocínio. Ele esteve cinco vezes no Setrem e é a quarta vez que fica no Centro. V. S. mora com a família, e diz que comete os crimes para comprar drogas. Os dois irmãos mais velhos do adolescente não têm história muito diferente. Os dois já cometeram homicídios, e um deles ainda se encontra na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL).(S. L.)

mockup