Menores são vítimas de 16% dos homicídios
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sexta-feira, 15 de outubro de 2004
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Menores correspondem a 16% das vítimas de homicídios registrados em 2004 em Londrina. Do total de 134 assassinatos ocorridos desde o início do ano, 22 são de pessoas com menos de 18 anos. No ano passado, neste mesmo período, 21 menores foram assassinados, um porcentual de 12%. Os números, baseados em um levantamento realizado pela Folha de Londrina, incluem a morte de Cristiano Cardoso de Jesus, 16 anos, ocorrido anteontem à noite. Ele foi alvejado com quatro tiros, no Jardim Santa Rita (Zona Oeste), durante um comício.
Testemunhas ouvidas pela Polícia Militar (PM) logo após a ocorrência afirmaram que viram quatro homens três deles armados se aproximarem de Cristiano e dispararem contra o rapaz. De acordo com o delegado de plantão na 10 Subdivisão Policial de Londrina (10 SDP), Airton Simplício dos Santos, a vítima morreu no local. Cristiano estava de posse de um revólver calibre 22. Não foram identificados suspeitos.
Na opinião do presidente do Conselho Tutelar-Centro, Idalto José de Almeida, o envolvimento com drogas é a principal causa para o elevado número de menores envolvidos com a criminalidade em Londrina. ''Pelo menos uma vez por dia atendemos mães ou parentes de menores que têm problemas com uso ou tráfico de drogas'', afirmou. Ainda segundo o presidente do Conselho, atendimentos relativos a ameaças de morte dirigidas a menores também são registrados com frequência.
O delegado responsável pelo atendimento a adolescentes em Londrina, João Aquino, confirma a tese de Almeida. ''Claro que o ambiente violento e a pobreza em que grande parte desses menores se encontra colaboram, mas as drogas são realmente a principal causa destes números'', disse.
Respaldando-se nas atribuições conferidas à família, Estado e sociedade pelo Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), Almeida cobrou das três instituições maior empenho na aplicação dos direitos e deveres dos menores, inclusive tratando o problema das drogas como uma questão de saúde pública. ''A primeira responsável pelo menor é a família. Por isso, cobrar atitudes somente do Estado não vai resolver o problema'', afirmou.
Ainda na opinião de Almeida, os números que apontam a quantidade de homicídios envolvendo menores mostra não só a gravidade do problema, como também expõem uma questão debatida constantemente entre sociedade e autoridade policial: o suposto paternalismo oferecido pelo ECA aos menores infratores.
''O Código de Menores, legislação em vigor antes do ECA, era bem mais rigoroso e no entanto não reduziu a criminalidade entre crianças e adolescentes, só inchando os educandários e Febens pelo País. Em Londrina são 22 menores mortos. Isso mostra que eles estão envolvidos com o crime, mas também são vítimas dele.''


