Menores são um terço das vítimas de homicídio
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sexta-feira, 19 de março de 2004
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Ser adolescente em Londrina está ficando cada vez mais perigoso. Apenas em 2004, 12 menores de 18 anos foram assassinados no município. Anteontem à noite, mais uma família foi surpreendida com a notícia da morte violenta de um parente menor. Mateus Galhardo de Oliveira, 17 anos, foi executado com cinco tiros na cabeça, na rua Mauritânia, no Parque Ouro Verde (Zona Norte), por volta das 20h30.
O jovem ainda estava vivo quando o Siate chegou ao local. Os socorristas tentaram removê-lo para um hospital mas ele não resistiu aos ferimentos e morreu dentro da ambulância. Em razão disso, a Polícia Civil não foi acionada e não foi feito levantamento do local do crime. Já a Polícia Militar atendeu a ocorrência mas, segundo relatório divulgado ontem, ninguém deu informações importantes sobre a autoria do homicídio.
Mateus morava com os avós desde criança, abandonou os estudos na 7 série e não estava trabalhando. Segundo uma prima do adolescente que pediu para não ser identificada , ''ele era uma pessoa tranquila e nunca disse se estava sendo ameaçado por alguém''. Ela afirmou que Mateus não tinha passagens pelo Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi) e disse não saber se era usuário de drogas. ''Foi um choque muito grande para nós. Esses jovens precisam procurar Deus e se apegar a alguma coisa. A juventude está se acabando. Eles têm que se conscientizar, porque a polícia não tem como cuidar de cada um'', desabafou. O corpo do adolescente foi velado no Centro Comunitário do Parque Ouro Verde e o sepultamento aconteceu às 17 horas, no Cemitério Jardim da Saudade.
O desabafo dos familiares ilustra bem a falta de perspectivas que cerca a juventude e que leva muitos deles ao mundo do crime. Márcio Vinícius Amaro, delegado-operacional da 10 Subdivisão Policial que investiga os casos de homicídio, revelou que as informações levantadas dão conta de que a vítima teria cometido um roubo no bairro há alguns dias e teria provocado a ira dos marginais. O delegado também investiga a possibilidade do adolescente ser usuário de droga. Segundo Amaro, a maioria dos casos de morte violenta envolvendo adolescentes tem ligação com o tráfico de entorpecentes e com desavenças entre grupos.
Enquanto não se chega a uma solução o que resta é discutir alternativas, declarou o representante local do Conselho Permanente dos Direitos Humanos em Londrina, Jorge Custódio. Na tarde de ontem, a questão foi debatida em uma reunião realizada na Câmara Municipal. ''É verdade que existem questões estruturais (envolvidas), mas é preciso investigar as causas dessas mortes'', afirmou Custódio. Ele acredita que, se houvesse uma célula policial específica para atuar nos crimes contra crianças e adolescentes, o problema poderia ser combatido com maior eficácia.
No total, Londrina já computa 38 homicídios desde o início do ano. Até o momento, março é o mês mais violento com 14 assassinatos registrados.


