Lúcio Horta
De Londrina
O Conselho Tutelar de Londrina, com apoio da Patrulha Escolar da Polícia Militar (PM), abordou ontem 15 menores que estavam vivendo em dois conhecidos mocós (prédio abandonado utilizado como abrigo) da cidade: um na Avenida Duque de Caxias (área central) e outro na Avenida Santos Dumont (zona leste).
A operação, segundo Maria Helena de Souza Costa Castardo, presidente do Conselho, está sendo realizada em média duas vezes por semana. Depois de abordados, os menores são encaminhados ou para famílias ou então para casas-abrigo (quando o vínculo familiar não existe mais).
O problema, ela observa, é que muitos deles acabam voltando para os mocós. ‘‘Esse é o grupo mais resistente. Eles ficam fora da rua até quando conseguem resistir ficar longe das drogas. E por mais que o trabalho do educar oriente, a droga é mais forte’’, diz. Maria Helena lembrou que muitos garotos e garotas já estão deixando a cola de sapateiro de lado para usar o crack (também chamado de zuka), uma droga muito mais poderosa e com alto nível de dependência.
Dos 15 menores detidos ontem, duas moças (uma delas grávida) aceitaram receber tratamento de desintoxicação numa instituição religiosa. Outros dois foram encaminhados para fora de Londrina, onde moram as respectivas famílias. Os demais ou foram levados para casas-abrigo de Londrina ou então para as próprias famílias. Um adulto de 18 anos também foi abordado pelo Conselho mas não quis receber qualquer encaminhamento.
A presença dos menores tem assustado os vizinhos dos mocós. Dagmar Aparecido Caetano, que trabalha no Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Urbanas de Londrina e Região (Stiul), bem ao lado do abrigo da Santos Dumont, disse que a presença da Polícia Militar tem sido constante no local, mas muitos do garotos, quando vêem a viatura, se escondem no telhado do prédio do sindicato. ‘‘São pelo menos seis menores’’, comentou.
Outro vizinho, o aposentado Paulo Raimundo Teixeira, 55 anos, confirmou que a presença dos menores tem sido constante. ‘‘Deve ter uns dez menores, alguns com cerca de dez anos, outros com 14. Sem contar os adultos, que ficam no local e se aproveitam dessas crianças’’, diz.
Já o prédio da Duque de Caxias, apesar de condenado pela prefeitura, continua ocupado. O prédio - onde no ano passado um menor foi assassinado com 20 facadas - sofreu desmoronamento parcial e a Secretaria de Obras entrou no mês passado com uma ação demolitória. O secretário José Righi de Oliveira disse ontem que o proprietário do imóvel respondeu a notificação concordando em demolir o prédio em 72 horas. Como o prazo não foi cumprido, a secretaria continuou com a ação e aguarda apenas a decisão do juiz. Righi acredita que até a metade de agosto possa derrubar o imóvel.

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