Menores são mantidos em local precário
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de abril de 1999
Giovani Ferreira 
Sem direito de tomar sol e trancados em um cubículo que não apresenta as mínimas condições de higiene, menores infratores são mantidos em uma situação extremamente precária, em uma das celas da delegacia da 18ª Subdivisão Policial de Telêmaco Borba (130 km de Ponta Grossa). Como o município não dispõe de uma estrutura específica para abrigá-los, a Promotoria de Justiça encaminha os menores para a única delegacia da cidade, onde eles são colocados em celas destinadas a presos comuns.
Atualmente, três menores, com idade entre 14 e 17 anos, dividem uma cela de aproximadamente 6 metros quadrados, sem janela e nenhuma outra espécie de ventilação. Os menores relataram à reportagem da Folha que durante o tempo em que permanecem presos são impedidos inclusive de tomar sol. Um dos menores contou que está apreendido há 43 dias. Nos dias de sol quente, reclama, a gente chega a cozinhar dentro da cela.
Segundo o menor E.F.O., de 17 anos, a comida é boa, mas as condições da cela são péssimas. Até a última terça-feira a cela era ocupada por quatro menores. J.A.B., 17 anos, estava sendo transferido para um educandário em Curitiba. Até então, dois meninos dividiam uma das camas do único beliche da cela, enquanto um menor dormia no chão e o maior ocupava a segunda cama.
Segundo os menores, eles foram detidos por prática de furto e por receptação de material roubado. O investigador Valdemir Moura Jorge, responsável pela carceragem, explicou que os menores estão naquela situação por causa da estrutura deficiente da delegacia. Com capacidade para 20 detentos, a delegacia de Telêmaco Borba abriga hoje 42 presos.
Além de terem que dormir praticamente amontoados, os menores ainda são obrigados a dividir um único banheiro, instalado dentro da pequena cela. Com um sistema igual a dos antigos banheiros públicos, onde não existe vaso sanitário, os menores fazem suas necessidades fisiológicas em pé. Além disso, convivem as 24 horas do dia com o mau cheiro do local.
Outro fato que também chama a atenção na delegacia de Telêmaco Borba é uma prisioneira mulher. Marlene Ferreira, presa ao tentar entrar com maconha na delegacia, ocupa um cela sem banheiro. Toda vez que precisa fazer necessidades fisiológicas é obrigada a acionar o carcereiro de plantão. A droga que Marlene tentou levar para dentro da cela era destinada ao seu marido, que está preso na mesma delegacia.


