Ao chegarem de manhazinha ao galpão onde administram há três anos uma oficina de lanternagem e pintura, os irmãos Jorge Luis e José Tadeu Jacobs tiveram uma surpresa desagradável. Pedras e tijolos que dois garotos teriam jogado domingo à tarde, nos fundos do galpão, localizado na Avenida Artur Thomas (zona oeste de Londrina), causaram um grande estrago: foram 46 vidros quebrados, um telhado de zinco destruído, além de três latarias danificadas.
Segundo José Tadeu, o irmão viu dois menores internos na Casa Abrigo do Jardim Bandeirantes, localizada na Rua Serra Pedra Selada, atirando objetos nos fundos do galpão. ''Pensamos que era coisa pequena, tanto que nem nos preocupamos em checar no domingo'', relatou o mecânico. ''Só vimos o tamanho do estrago na manhã de hoje (ontem).'' Ele disse que pretende acionar judicialmente o município para o ressarcimento dos prejuízos.
As pedras e tijolos, de tamanho grande, foram amontoadas nos fundos do galpão. Até mesmo uma velha bota virou munição. Até a tarde de ontem, estava pendurada entre os vidros quebrados. O prejuízo foi estimado em R$ 5 mil. ''Nós fizemos o seguro do galpão, só que não há cobertura para vandalismo'', lamentou Tadeu.
Segundo a coordenadora do Projeto Casas Abrigo, Nívia Polezer, os menores cometeram ato infracional gravíssimo, de acordo com o Estaturo da Criança e do Adolescente. ''Orientamos os proprietários da oficina a seguir todo o procedimento que deve ser tomado em um caso como esse'', disse Nívia, da secretaria municipal de Ação Social. ''Os meninos agiram de modo errado e terão que sofrer a penalidade prevista.''
Como são menores de 12 anos, os dois não passarão pela Delegacia do Adolescente. O caso precisa ser registrado em boletim de ocorrência, mas o caso fica sob domínio do Conselho Tutelar. A coordenadora frisou que, depois de encaminhadas ao abrigo pela Justiça, as 10 crianças que atualmente vivem na casa do Jardim Bandeirantes estão sob a guarda da assistência social do município. ''Estão em situação de risco social e não têm qualquer possibilidade de retorno à vida familiar'', ressaltou Nívia. ''O abrigo torna-se a última medida de proteção deles''.
Mesmo internos, os garotos não são obrigados a permanecer no abrigo. O fato cria muitas dificuldades para o trabalho de ressocialização desenvolvido pelo projeto. ''Temos que brigar com a rua, que é um ambiente muitas vezes mais atraente para esses menores do que a nossa proposta'', complementou a coordenadora.

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