Da Sucursal

Gilson CamargoPerigo na madrugadaLocal de trabalho em que os dois jovens sofreram na madrugada de ontem o susto da morte iminente: trabalho de menor é irregularDois jovens trabalhadores quase morreram asfixiados em acidente ocorrido ontem, por volta das 4 horas da madrugada, na Mineradora Coincal, em Rio Branco do Sul, Região Metropolitana de Curitiba. Daniel Nicolau e Dario Barbosa, ambos de 17 anos, trabalhavam no silo de moagem de cal quando caíram de uma altura de dois metros e foram soterrados por pedra britada.
O acidente acabou revelando condições irregulares de trabalho de menores em mineradoras da região. A lei proíbe o menor de trabalhar à noite e exercer atividade insalubre.
Apesar de só terem sido resgatados três horas depois pelo Corpo de Bombeiros, os dois rapazes não se feriram. O foguista Aníbal Cândido Bueno deu o primeiro socorro, 20 minutos após o acidente. ‘‘Eu tirei as pedras que cobriam os rostos para que eles pudessem respirar’’, relata. Os bombeiros chegaram uma hora depois. Daniel e Dario ficaram presos no estreito espaço entre o depósito de pedra britada e a esteira do moinho, o que retardou a remoção. Levados para o pronto-socorro do Hospital Evangélico, os rapazes foram liberados em seguida. Eles passaram o resto do dia descansando. Assustada, a mãe de Daniel, Serafina Nicolau, não quer que o filho trabalhe mais à noite.
Daniel e Dario estão trabalhando no período noturno, entre 21 e 7 horas, há duas semanas. Eles ganham R$ 190,00 por mês. Nenhum deles usava o equipamento de segurança (máscara e botas) no instante do acidente. O sócio-proprietário da Coincal, Araslei Cumin, evita falar das possíveis irregularidades. ‘‘A contratação dos funcionários e a cobrança do uso dos equipamentos são responsabilidades do departamento pessoal da empresa’’, se esquiva. Pelo menos no ano passado, a Delegacia Regional do Trabalho (DRT) não registrou qualquer irregularidade na mineradora.
‘‘Vamos fazer uma inspeção na empresa’’, avisa o chefe do serviço de segurança e saúde do trabalhador da DRT, Valdir Silva. Ele vai conhecer histórias como a de Zenito Costa do Rosário, 16 anos, outro jovem empregado da Coincal. Já faz parte de sua rotina trabalhar até dez horas por dia em um ambiente insalubre e sem equipamento de segurança. ‘‘A gente só pára uma hora para almoçar’’, revela, com a face coberta pelo pó de cal. O rapaz entra às 7 e sai às 18 horas da empresa. A jornada o deixa esgotado para o estudo, como Daniel e Dario, voltam hoje ao trabalho com os demais 40 empregados.

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