Pelo menos 60% dos crimes registrados em Londrina são praticados por adolescentes com idades entre 15 e 18 anos. Entre 1º de janeiro de 2001 e sexta-feira passada, foram lavrados 457 procedimentos contra adolescentes, o que implica em uma média de 600 jovens detidos. As estatísticas assustadoras da polícia, traduzem o caminho sem perspectivas que os jovens da cidade estão trilhando, diante de uma sociedade dividida entre a raiva, o medo e a indiferença.

A criminalidade e a morte prematura para muitos parecem ser um destino certo. Os jovens roubam, matam e morrem em uma quantidade cada vez maior. Só no final de semana morreram três adolescentes e 13 foram encaminhados para o Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi). Roberlei Andrade morreu na última quinta-feira pouco depois de completar 18 anos e de sair do Educandário São Francisco, em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba. (ver matéria).

No dia seguinte, às 11h30, revólver em punho, um adolescente entrou em um mercado no Jardim Leonor (zona norte de Londrina) e roubou R$ 180,00, uma cartela de isqueiros e um molho de chaves. No mesmo dia, no Jardim Quebec, zona oeste, quatro adolescentes com idades entre 13 e 17 anos foram detidos com 30 CDs roubados.

Apesar da pouca idade todos são reincidentes. Alguns com seis, sete passagens pelo Ciaadi. Segundo o delegado-adjunto João Eduardo Carulla, a faixa etária destes jovens que cometem infrações é de 15 a 18 anos. ''Há também menores com 13 anos, mas é exceção'', afirma. Os tipos de crimes praticados são os mais diversos, segundo Carulla de furtos a homicídios. No entanto, os assaltos a ônibus e farmácias são cometidos em sua grande maioria por adolescentes.

O delegado afirma que os jovens que chegam à 10 Subdivisão Policial (SDP) de Londrina são de classes sociais muito pobres. ''Vivem na miséria'', afirma. Para combater os efeitos da criminalidade, Carulla defende uma legislação mais rigorosa. ''Não é preciso criar novas leis. É só revogar umas 10 leis que protegem o crime'', afirma.

No entanto, Carulla salienta: ''Isto se falarmos em efeitos da criminalidade. Mas se discutirmos as suas causas, estas estão na má distribuição de renda e na falta de uma educação de base''.

A promotora da Infância e Juventude, Edina de Paula acrescenta às causas da criminalidade entre adolescentes a falta de limites em casa; independente da classe social. Em parceria com a Polícia Militar, a promotoria está desenvolvendo um projeto para ser implantado com o enfoque da imposição de limites e atender adolescentes infratores e em situação de risco.

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