Menores não poderão assistir ao Planet Hemp
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quarta-feira, 15 de abril de 1998
Marccio W. Varella 
Menores de 18 anos de idade não poderão assistir ao show do grupo musical Planet Hemp, no dia 24, em Maringá. A determinação judicial foi divulgada ontem pelo juiz da Vara da Infância e da Juventude, Renê Pereira da Costa.
Na semana passada, a Mantovani Produções Artísticas, empresa de Cascavel que está promovendo os shows do grupo no Paraná, entrou com pedido de liberação do show para menores de 18 anos. A promotora Stella Maris Santana Ferreira Pinheiro negou o pedido, com base no artigo 71 do Estatuto da Criança e do Adolescente. O artigo diz que a criança e o adolescente têm o direito ao lazer, à informação e à cultura, respeitando-se sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.
Stella Maris acrescentou que se baseou também na capa do último CD do Planet Hemp - que mostra uma folha de maconha - e nas letras das músicas. O artigo 287 do Código Penal diz que fazer apologia de fatos criminosos é crime, disse a promotora. O juiz, por outro lado, informou que existe uma portaria que permite aos menores, de 12 a 16 anos, assistirem a shows noturnos acompanhados dos pais ou responsáveis, e aos que têm entre 16 e 18 anos entrarem desacompanhados. Mas com este conjunto vamos usar o rigor da lei: é proibido a menores de 18 anos entrar em casas noturnas, resumiu.
Hoje de manhã os promotores das 1ª e 2ª Varas Criminais de Maringá reúnem-se para decidir se entram com pedido para suspender o show do Planet Hemp em Maringá.
O guitarrista Ademir Gonçalves, 17 anos, que está formando uma banda de heavy metal em Maringá, acha a decisão da Justiça um absurdo. Ademir garantiu que nunca usou drogas. Segundo ele, letra de música não obriga ninguém a fazer nada. A letra deles (do grupo) não fala só de maconha. Fala de opressão, pobreza e violência.


