Cinco menores infratores de Londrina foram resgatados na noite de anteontem do recém-inaugurado Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi). Eles foram libertados por outros três adolescentes, dois deles armados com revólveres. Os menores - que também tinham passagem pela polícia - renderam o segurança que tomava conta do prédio e três plantonistas. Em seguida, avançaram sobre a área da carceragem, onde libertaram os colegas. Durante o resgate, um tiro foi disparado mas não atingiu ninguém. O segurança e os plantonistas acabaram presos em uma cela do centro pelos fugitivos.
Segundo Odila Santos Cabral, coordenadora do Ciaadi, a fuga ocorreu por volta das 21 horas. Os menores L.S., E.G.C e R.M.D, todos com 17 anos, invadiram o centro pulando o portão da frente do prédio, onde renderam, agrediram e tomaram o revólver do vigia Ademar Caetano, da Poliservice Segurança. Não havia policial civil ou militar tomando conta do local. Em seguida, os menores renderam os funcionários Gilmar Gonçalves, Laércio Santos da Luz e Silvana Valentin, que estavam no plantão de atendimento. O objetivo era libertar F.S.M., 17 anos, mas acabaram soltando também C.P.N, 17; V.S. 16; R.C.S, 17; e J.A.B., 16.
Odila Cabral disse que, segundo informações dos plantonistas, ainda na carceragem um tiro foi disparado acidentalmente e por pouco não atingiu a cabeça do funcionário Gilmar Gonçalves. Depois fugiram. Por sorte, um vizinho que mora em frente ao Ciaadi viu os menores pulando o portão e chamou a Polícia Militar, que chegou em seguida. Dois dos três menores que invadiram o centro já tinham passagem pelo próprio Ciaadi e o terceiro pelo extinto Serviço de Triagem, Recepção e Encaminhamento de Menores (Setrem). Todos por roubo e furto.
O Ciaadi foi inaugurado há apenas dois meses e até a noite da fuga contava com 24 adolescentes em internamento provisório e outros três trabalhando na recepção. Odila Cabral disse que já enviou ofício ao comando do 5º Batalhão da Polícia Militar solicitando um policial para trabalhar durante 24 horas, além da ronda noturna, para ajudar na segurança. A presença da policiais ocorre somente durante o dia porque no mesmo prédio funciona a Delegacia do Adolescente, da Polícia Civil. ‘‘O pessoal que trabalha à noite nunca viu a ronda da PM passando por aqui’’, disse.
O major Manoel Cruz Neto, do 5º Batalhão, informou que a partir de ontem mesmo a Polícia Militar iria incrementar as rondas na região, fazendo inclusive o ‘‘ponto base’’, ou seja, cada vez que a viatura se deslocar para o Ciaadi, vai parar por cerca de 10 minutos e avaliar se está tudo bem. ‘‘Isso já vinha sendo feito, mas agora vamos incrementar.’ Sobre a idéia de deixar um policial fixo no Ciaadi, Major Manoel disse que, por enquanto, não será possível. ‘‘Temos problema de efetivo e deixar um elemento fixo no local é mais difícil’’, argumentou.
A delegada Paula Francinete Rodrigues Nunes, da Delegacia do Adolescente, informou que vai abrir inquérito para apurar o caso. Ainda hoje ela começa a ouvir os envolvidos.

mockup