Menores infratores fogem em Piraquara
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quinta-feira, 29 de janeiro de 1998
Cristine Pieske 
Vinte e dois menores fugiram na madrugada de ontem do Educandário São Francisco, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. Até o final da tarde, oito menores já haviam sido recapturados e outros 15 continuavam foragidos. Segundo o diretor do Educandário, Vinícius Krichner, os menores que participaram da fuga são os mesmos que comandaram a rebelião ocorrida no final de dezembro.
A confusão teve início às 2h45, depois que um dos internos da ala A do educandário - onde estão os infratores considerados mais perigosos - pediu para ir ao banheiro e dominou um dos educadores. Armado com um estoque (barra de ferro afiada na ponta), o menor libertou os internos das celas vizinhas, tomando em seguida outros três educadores como reféns. Eles dominaram também o único policial militar que fazia a segurança na porta da instituição. Assim que conseguiram abrir os portões do educandário, os menores liberaram os reféns e fugiram a pé. Não houve feridos.
A polícia só conseguiu recapturar sete dos fugitivos no início da manhã de ontem, quando eles estavam escondidos nas proximidades de um conjunto residencial de Piraquara. Outro menor foi encontrado no final da tarde. Os adolescentes foram levados de volta à instituição e colocados na área de isolamento. A maioria deles é acusada de ter cometido homicídios, estupros e roubos.
O diretor do Educadário São Francisco, Vinícius Krichner, suspeita que a fuga dos menores tenha sido facilitada pela falta de segurança e pela superlotação do local. Atualmente, o educandário tem aproximadamente 200 internos, divididos em três pavilhões. Pelo projeto inicial, a instituição deveria abrigar, no máximo, 150 menores. Há apenas um policial militar para fazer a segurança externa do educandário, que possui mais de 3 mil metros quadrados de área construída. Ao contrário da maioria das instituições de segurança, o educandário não possui guaritas externas.
No final de dezembro do ano passado, 40 internos do educandário já haviam se rebelado depois de uma tentativa frustrada de fuga. Na época, os menores da mesma ala A tomaram três educadores como reféns e exigiram armas e carros para deixar a instituição. A rebelião só foi encerrada depois que o diretor do educandário e o juiz da Vara da Infância e Juventude prometeram fazer a revisão dos processos de todos os internos. A maioria deles diz já ter cumprido suas penas.
O secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, diz que já entrou em contato com o diretor do educandário e que irá determinar o reforço imediato da segurança no local. O diretor pede a construção de novas instituições destinadas a menores infratores no Paraná. Atualmente, todos os menores que cometem crimes são trazidos para Curitiba.


