Ney de SouzaIlegal e lucrativoR., V. e F. levam sacolas de cigarros contrabandeados: R$ 20 por diaA fiscalização realizada três vezes por semana para evitar que crianças brasileiras atravessem a Ponte da Amizade, na fronteira entre Brasil e Paraguai, consegiu impedir que 66 menores de idade desacompanhados e sem documentos entrassem no país vizinho em apenas 15 dias. No entanto, as crianças aproveitam os dias de ‘‘folga’’ dos educadores e furam o bloqueio, transitando tranquilamente pela fronteira.
A medida foi adotada para evitar que crianças brasileias sejam exploradas trabalhando como ‘‘laranja’’ (atravessando a ponte com mercadorias contrabandeadas e cigarros). Mesmo assim, os menores arrumam meios de despistar os educadores. É o caso dos garotos F.C., 12 anos, V.K., 14, e R.L., 15 anos.
Os três passam os dias carregando sacolas de cigarros contrabandeados de Ciudad del Este para Foz do Iguaçu para ajudar na renda familiar. Os três meninos moram na Favela do Jardim Jupira, na região da Ponte da Amizade.
Com medo de deixar a filha de 11 anos atravessar a ponte, a mãe de Liliam, Sueli Marcheti, vende pão caseiro nas proximidades da aduana enquanto observa a menina vender suco de laranja. Liliam, com 11 anos, não estuda e ganha 25 centavos por garrafinha de suco que vende. Seu ‘‘sonho’’ é atravessar a ponte junto com os companheiros que trazem cigarros e ganhar até R$ 20 por dia.
O cadastro feito pelos fiscais, revelado pela Prefeitura, mostra que os meninos atendidos são, na maioria, da periferia da cidade. Um deles tinha apenas três anos e tentava cruzar a fronteira sozinho. Dos 66 barrados, 20 justificaram que trabalhavam como catadores de lata, 13 como vendedores ambulantes, 29 como passadores de cigarro, um como ‘‘laranja’’ de contrabandista de uísque, um cuidava de carros de sacoleiros e outro que cruzava a fronteira para cheirar cola. A maioria, segundo a secretaria, é filho de pais desempregados ou separados.

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