Quarenta e três crianças e adolescentes da zona leste, que estavam sem estudar, já têm vagas garantidas em duas escolas das proximidades. Hoje e amanhã os pais dos menores deverão procurar as escolas com a documentação para fazer a matrícula dos filhos. A notícia foi dada aos pais ontem durante uma reunião com representantes do Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente. A maioria desses menores estava sem estudar por dificuldades em conseguir uma vaga.
Os 30 alunos de 1ª série estudarão em uma turma especial criada na escola Karlos Kraemer, no jardim Ideal. Os outros 13 (oito de 2ª série, um de 3ª e quatro de 4ª) têm vagas reservadas na escola Anita Garibaldi, no vila Fraternidade. Grande parte dos alunos de 1ª série tem idade média de 12 anos e nunca esteve numa escola. O levantamento das crianças sem estudar foi feito pela irmã Tânia Regina Micheletti faz, com outras duas religiosas, um trabalho de evangelização na zona leste. Levado à Secretaria Municipal de Educação, através do Conselho Tutelar, o problema foi resolvido na semana passada.
Segundo o presidente do Conselho Tutelar, Julio Botelho, a situação não foi solucionada antes porque nem o Conselho nem a Secretaria conheciam o problema. ‘‘Temos conhecimentos de casos individuais. A comunidade tem que se unir, se organizar para apresentar os problemas coletivamente. Fica mais fácil resolver.’’
O trabalho do Conselho Tutelar não acaba com a obtenção das vagas. Os novos alunos, segundo Botelho, serão acompanhados. O Conselho quer saber se eles realmente vão frequentar a escola. Na reunião de ontem, Botelho, alertou os pais presentes sobre as implicações no caso de os alunos que deixarem a escola. ‘‘O pai ou a mãe tem o dever legal de manter os filhos na escola. Quem desobedecer a lei vai ser processado pelo Conselho por crime de abandono intelectual.’’
Ao todo 51 menores de 7 a 14 anos estão na mesma situação na zona leste. Os outros oito menores precisam de vagas de 5ª a 8ª série. São cinco na 5ª , dois na 7ª e um na 6ª. Desses apenas uma menina que tem deficiências visuais já está com a vaga garantida. Botelho garante que esses casos também serão resolvidos. Mas pode demorar um pouco mais já que, além da falta de vagas, muitos desses adolescentes trabalham e precisam estudar em horários específicos.

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