Menores de rua têm riqueza cultural
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de agosto de 1998
Dimitri do Valle 
O professor belga Michel Born passou três anos ouvindo relatos sobre o cotidiano dos meninos de rua em Curitiba. Ele concluiu que por trás da miséria e criminalidade que acompanham a vida destas crianças, transpiram riqueza cultural, habilidade corporal e capacidade de iniciativa. Doutor em psicologia e presidente da Escola de Criminologia da Universidade de Liége, na Bélgica, Michel Born é o orientador de teses de doutorado de estudantes da Universidade Tuiuti do Paraná.
Os estudos tratam sobre os menores que fazem das ruas da capital paranaense o seu habitat. Com 25 anos de trabalho avaliando a delinquência juvenil, Born acredita que não são apenas as escolas e os livros os capazes de produzir efeitos miraculosos no comportamento social de meninos e meninas abandonados. Ele defende que toda a sociedade se engaje para criar espaços em que os menores possam descobrir e desenvolver seus dons mais adormecidos. O diferencial da idéia é que estes espaços ficariam nos próprios territórios onde os menores vivem. Seria a garantia para que o projeto não naufragasse. O importante seria que eles participassem da criação desses lugares, recomendou. Para Born, é uma maneira de incrementar a prevenção da criminalidade juvenil e baixar o índice de ocorrências envolvendo menores.


