Menores da Zona Azul agora são maiores
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quinta-feira, 05 de outubro de 2006
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O perfil dos orientadores de trânsito responsáveis pela cobrança e fiscalização dos estacionamentos nas áreas de Zona Azul mudou. Em vez de adolescentes atendidos por uma entidade assistencial de Londrina, o trabalho está sendo prestado por homens e mulheres de 18 a 24 anos. A modificação foi determinada pela Procuradoria Estadual do Trabalho e passou a ser cumprida pela Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (Epesmel) recentemente.
A modificação foi feita gradualmente para que nenhum jovem ficasse sem assistência de um dia para o outro. ''Ninguém foi dispensado. Alguns saíram porque conseguiram emprego e outros completaram 18 anos e continuam com a gente'', relata a psicóloga Camila Kauam Menezes, coordenadora da Zona Azul.
Hoje, 200 orientadores de trânsito atuam na cidade. Eles são responsáveis pela fiscalização de 1.450 vagas de estacionamento no Anel Central e na Avenida Bandeirantes. O preço da hora é R$ 0,90. A arrecadação mensal varia entre R$ 120 mil e R$ 130 mil. Ainda assim, a direção afirma que o serviço não dá lucro.
A explicação, segundo Camila, são os benefícios sociais concedidos aos funcionários. A oportunidade, na maioria das vezes, do primeiro emprego não é a única vantagem. Os orientadores recebem salário de R$ 263 por seis horas diárias e alimentação e o vale-transporte não são descontados.
A situação ficou mais complicada com a saída dos adolescentes, cujos salários eram menores. E o que sobrava era investido em ações sociais desenvolvidas pela Epesmel, como cursos profissionalizantes, apoio de contra-turno escolar e execução de medidas judiciais sócio-educativas.
Para Camila Kauam Menezes, o valor ideal seria de R$ 1 por hora. Ela sabe que o preço seria superior ao de outras cidades do mesmo porte, mas ressalva que em Londrina o serviço tem preocupação social.
Um dos maiores problemas verificados no dia-a-dia da Zona Azul é a existência de áreas eventualmente descobertas, onde não se encontra nenhum orientador. A dificuldade ocorre por causa da alta rotatividade dos orientadores e a necessidade de treinamento dos novos.
''A rotatividade é um problema e uma solução ao mesmo tempo. A dificuldade que temos de substituir e treinar os funcionários compensa porque a rotatividade mostra que os jovens estão sendo encaminhados para o mercado de trabalho, que é a função social e a preocupação da entidade'', comenta o coordenador da Epesmel, Padre Lídio Roman.
Serviço
O interessado em trabalhar como orientador de trânsito da Zona Azul deve ter entre 18 e 24 anos e estar estudando ou ter concluído o Ensino Médio. Informações podem ser obtidas na Rua Santa Catarina, 142, sala 2, no Centro de Londrina ou pelo telefone 3322-5066.


