O envolvimento de adolescentes em atos criminosos seja como vítima ou infrator está cada vez mais constante. Recentemente, em Londrina, imagens de adolescentes usando armas pesadas e fazendo apologias ao crime foram divulgadas pela polícia, que ontem também apreendeu fotos que assustam pela violência, mostrando crianças apontando armas de fogo para a própria mãe. ''Essas ações refletem a violência da sociedade em geral e não podem ser analisadas como fatos isolados'', afirma a psicóloga e psicopedagoga Maria Helena Melhado Stroili, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas (SP).
Ela participou ontem de mesa-redonda sobre ''Violência e Adolescência'', no 2º Congresso Cone Sul de Adolescência, que acontece em Londrina. O evento está sendo realizado no Hotel Sumatra (centro) e é promovido pela Associação Brasileira de Adolescência (Asbra).
Na avaliação de Maria Helena, o adolescente está utilizando da transgressão como tentativa de inserção na sociedade. ''É como se de outra forma ele se sentisse um anônimo. Em fase de construção de personalidade, o adolescente se sente mais vulnerável e vive constantemente em busca de referências, e se essas são violentas, é assim que ele vai se comportar'', afirma.
Ela salienta que a violência é um dos sintomas da crise que a instituição familiar contemporânea está passando, juntamente com um sistema desigual de distribuição de renda. ''Vivemos um momento da banalização de valores e das relações humanas. Nossa cultura está muito americanizada, voltada excessivamente ao apelo consumista, em detrimento do cultivo de valores mais positivos'', afirmou.
Para ela, é necessário que haja mais investimento em educação e redes de apoio sociais, assim como mais envolvimento da sociedade em trabalhos preventivos. ''A sociedade está assustada demais e o medo e a necessidade excessiva de proteção está diminuindo a mobilização das pessoas'', acrescenta.

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