Uma briga entre quatro menores, dois deles armados com revólver calibre 22 e faca, na tarde de ontem, acabou resultando em ferimento à bala na zeladora da Escola Municipal Quintino Bocaiúva, no bairro Cataratas, zona leste de Cascavel. Os menores, ex-alunos do estabelecimento, começaram a briga na área externa. Um deles, armado com a faca, correu para dentro do pátio, sendo perseguido pelo que estava com o revólver, que disparou, atingindo o braço esquerdo de Maria de Almeida Guimarães, 51 anos, viúva.
Os menores foram apreendidos pouco depois por policiais militares, e conduzidos à Delegacia da Criança e do Adolescente, onde foram ouvidos pelo delegado Nobuo Nagase. A seguir, foram levados à cela especial - de onde, na noite de anteontem, outros menores tentaram fugir. O autor do tiro é I.S., e o que usava faca E.R., ambos de 15 anos. Os apreendidos são J.C., 15, e P.B., 16 anos. I.S. disse que jogou o revólver ‘‘em um matagal’’, e não identificou o local aos policiais.
A zeladora Maria de Almeida Guimarães contou que ‘‘tudo foi muito rápido’’, pois os menores entraram correndo na escola. Ela foi levada por professores para o Hospital Santa Catarina, onde foi atendida, permanecendo com a bala no braço, porque os médicos entenderam ser mais conveniente não tentar retirá-la de imediato. No caso da Escola Quintino Bocaiúva, com alunos de 1ª a 4ª série, a professora Mirtes Breda Zanetti elogiou a ‘‘pronta ação da PM’’, pois um carro policial chegou à escola logo após o comunicado da ocorrência.
O cabo Wilmar Martins e o soldado Wilson Bonometto, sabendo que a zeladora já tinha sido socorrida, agiram com rapidez, conseguindo apreender os quatro menores. A secretária municipal de Educação Edi Maria Volpin visitou a zeladora no hospital no final da tarde, e manifestou preocupação com a repetição de atos violentos ‘‘envolvendo escolas’’. Grupos de menores, muitas vezes ex-alunos, perambulam em torno dos estabelecimentos, provocando e agredindo alunos e até mesmo professores.
Muitos menores chegam a pular os muros para as agressões. Também agem em torno das escolas os distribuidores de drogas. No mês passado foi encontrada uma bomba artesanal em uma escola central. Segundo a Polícia Técnica, o artefato teria poder letal, se explodisse - o estopim chegou a ser acesso, mas não houve a detonação. O comando da PM está articulando esquema especial de policiamento, em conjunto com diretores de escolas municipais, estaduais e particulares.

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