Menores acusam pedreiro de preconceito racial
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 26 de abril de 1999
Benê Bianchi 
L.H.O., 11 anos, e o amigo V.M., de 13, aprenderam cedo a reclamar seus direitos e a denunciar o que consideram falta de respeito com as pessoas. Ontem, os dois saíram do Jardim Novo Amparo (zona leste de Londrina), localizado a cerca de quatro quilômetros do centro, e vieram até a Redação da Folha para denunciar um crime de racismo.
Tudo começou quando V.M., que é negro, resolveu chamar uma garota do bairro para dançar quadrilha com ele na festa que estão organizando para junho. O pai dela mandou falar para a organizadora da quadrilha que a filha dele é branca e que ela não ia dançar com um preto, contou a vítima.
Solidário, o amigo L.H.O. teve a idéia de denunciar na imprensa. A gente queria ir na polícia, mas nós não sabemos como fazer, disse L. Ele contou que ficou chateado ao ver o amigo tão triste. Eu fiquei muito magoado mesmo, reforçou V.M. Antes de virem até o jornal, os dois passaram no serviço da mãe de V, que não podia sair, mas assinou um documento preparado pelos dois, dizendo que V. era seu filho. É feio isso. Ser racista dá cadeia, comentou L.
A reportagem da Folha esteve no Jardim Novo Amparo para falar com o acusado de ter cometido o crime de racismo, o pedreiro Eliazer Ribeiro da Luz. Ele negou ter proibido a filha de dançar com V. Teve um mal-entendido. Eu não ia fazer isso porque não sou racista. Eu tenho dois cunhados negros, reagiu. Ele também garantiu que não proibiu a filha de dançar quadrilha.
A delegada responsável pela Delegacia do Adolescente, Josane Caldardo, informou que os crimes de racismo devem ser registrados nas delegacias de acordo com a idade do infrator. Se ele tiver entre 12 e 18 anos, o registro deve ser feito na Delegacia do Adolescente, na Rua Joel Brás de Oliveira, 103, Jardim Pérola (perto do Hospital Universitário).
Caso o acusado seja maior de 18 anos, a queixa deve ser registrada no Distrito Policial mais próximo. No caso de V.M., a denúncia deve ser feita no 2º DP, na rua Santa Marta, próximo à Rodoviária. Quando a vítima é menor de idade, ela deve ser acompanhada pelo pai ou responsável à delegacia.


