L.H.O., 11 anos, e o amigo V.M., de 13, aprenderam cedo a reclamar seus direitos e a denunciar o que consideram falta de respeito com as pessoas. Ontem, os dois saíram do Jardim Novo Amparo (zona leste de Londrina), localizado a cerca de quatro quilômetros do centro, e vieram até a Redação da Folha para denunciar ‘um crime de racismo’.
Tudo começou quando V.M., que é negro, resolveu chamar uma garota do bairro para dançar quadrilha com ele na festa que estão organizando para junho. ‘‘O pai dela mandou falar para a organizadora da quadrilha que a filha dele é branca e que ela não ia dançar com um preto’’, contou a vítima.
Solidário, o amigo L.H.O. teve a idéia de denunciar na imprensa. ‘‘A gente queria ir na polícia, mas nós não sabemos como fazer’’, disse L. Ele contou que ficou chateado ao ver o amigo tão triste. ‘‘Eu fiquei muito magoado mesmo’’, reforçou V.M. Antes de virem até o jornal, os dois passaram no serviço da mãe de V, que não podia sair, mas assinou um ‘documento’ preparado pelos dois, dizendo que V. era seu filho. ‘‘É feio isso. Ser racista dá cadeia’’, comentou L.
A reportagem da Folha esteve no Jardim Novo Amparo para falar com o acusado de ter cometido o crime de racismo, o pedreiro Eliazer Ribeiro da Luz. Ele negou ter proibido a filha de dançar com V. ‘‘Teve um mal-entendido. Eu não ia fazer isso porque não sou racista. Eu tenho dois cunhados negros’’, reagiu. Ele também garantiu que não proibiu a filha de dançar quadrilha.
A delegada responsável pela Delegacia do Adolescente, Josane Caldardo, informou que os crimes de racismo devem ser registrados nas delegacias de acordo com a idade do infrator. Se ele tiver entre 12 e 18 anos, o registro deve ser feito na Delegacia do Adolescente, na Rua Joel Brás de Oliveira, 103, Jardim Pérola (perto do Hospital Universitário).
Caso o acusado seja maior de 18 anos, a queixa deve ser registrada no Distrito Policial mais próximo. No caso de V.M., a denúncia deve ser feita no 2º DP, na rua Santa Marta, próximo à Rodoviária. Quando a vítima é menor de idade, ela deve ser acompanhada pelo pai ou responsável à delegacia.

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