Para uns, exploração ilegal de mão-de-obra infantil. Para outros uma oportunidade de ter uma salário e vislumbrar, no futuro, uma profissão. A polêmica da contratação de adolescentes para desenvolver determinadas tarefas chegou às quadras de tênis e aos campos de golfe, e os clubes estão optando por abolir a figura dos ''boleirinhos'' garotos que se encarregam de buscar a bola e no caso do golfe, também carregar os equipamentos para o atleta.
''Tomamos a decisão, em reunião de diretoria, de proibir a presença destes garotos no clube, como forma de evitar problemas com a Justiça. No começo do ano que vem, pretendemos regularizar a situação, contratando somente os que tiverem mais de 16 anos, mediante autorização dos pais'', explica o presidente do Londrina Country Club, Luiz Antonio Tâmega. Segundo ele, o clube abria as portas para 11 garotos, com idades entre 14 e 17 anos, como forma de dar-lhes uma ocupação e evitar que ficassem nas ruas.
Tâmega informa ainda que os boleiros recebiam gorjetas dos tenistas, e não tinham vínculo empregatício com o clube. Durante os jogos do 9º TIL Tennis Cup, torneio infanto-juvenil realizado recentemente, alguns boleiros foram contratados temporariamente pelos tenistas. Um deles, de 14 anos, conta que trabalhou cerca de dois meses no clube, e ganhava em torno de R$ 300,00 por mês. ''Com o dinheiro eu comprava coisas para mim, como tênis e roupas. Depois que saí fiquei sem nada para fazer'', diz o garoto.
Para o ex-boleiro Robson Vieira da Silva, de 22 anos, conhecido como Kid, a atividade é, para muitos garotos, a oportunidade de uma nova vida. ''Eu comecei como boleiro aos 13 anos, cheguei até um clube através de um amigo, que trabalhava lá. Aos 14 anos comecei a jogar''. Ele lembra que com o dinheiro que ganhava ajudava em casa e comprava objetos pessoais. Atualmente Kid participa de alguns torneios e dá aulas na escola de tênis do Country. ''O trabalho como boleiro me tirou da rua e me abriu várias oportunidades. Hoje eu teria outro tipo de vida se não fosse o tênis''.
No Canadá Country Club, a decisão de eliminar os ajudantes dos tenistas foi tomada há três anos. O principal motivo, segundo o presidente Natalino Camillo da Silva, foram os problemas com a Justiça. ''A maioria, depois que deixava de trabalhar no clube, entrava com ação.''
Se os tenistas até conseguem se virar sem os boleiros, no caso dos praticantes de golfe é mais complicado ficar sem os ''caddies''. Além de ir atrás das bolinhas, eles carregam a bolsa de tacos e têm que seguir uma série de condutas. Para isso, têm que conhecer as regras do esporte. De acordo com o diretor administrativo do Londrina Golf Club, Carlos Alberto Adati, 100 'caddies' frequentam o clube, ganhando em média dois salários mínimos. ''Muitos sustentam a família com este dinheiro''. Segundo ele, os associados são orientados a contratar maiores de 16 anos.
A promotora da Vara da Infância e da Juventude, Edina Maria Silva de Paula, explica que o artigo 60 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) proíbe o trabalho de menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz. ''O melhor seria os clubes assinarem um termo de ajuste com a Procuradoria do Trabalho. Acho perfeitamente viável e válido que estes garotos continuassem na função, desde que estudando no período contrário ao dos treinos e tendo a chance de aprender o esporte.''

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