Menor usava falsa barriga para pedir esmola
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quinta-feira, 22 de dezembro de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Aproveitando que nesta época do ano as pessoas tendem a ser mais solidárias, uma adolescente de 17 anos descobriu um jeito ainda mais eficaz para arrecadar algum trocado em semáforos do Centro de Londrina. Ela foi flagrada ontem à tarde por policiais militares usando uma uma falsa barriga para simular uma gravidez.
De acordo com os soldados Frank e Henrique, funcionários da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) informaram que a menina estava abordando motoristas no semáforo da Rua Professor João Cândido com a Avenida Juscelino Kubitscheck. E para sensibilizar as pessoas ela estaria usando uma barriga falsa.
Ao ser questionada pela reportagem, ela confirmou a estratégia e alegou que era apenas o segundo dia que pedia esmola. A menina contou que é casada há três anos e que é mãe de um filho. O marido, segundo a adolescente, trabalha em um supermercado e sabia que a esposa mendigava, mas desconhecia que ela forjava estar grávida.
Mesmo insistindo por várias vezes, os policiais tiveram que esperar mais de duas horas pela chegada de uma equipe do programa municipal ''Sinal Verde'', que faz abordagens a moradores de rua e outras pessoas em situação de risco social. A adolescente foi encaminhada para o Conselho Tutelar do centro. Ninguém deu informações à imprensa sobre a condução do caso.
Uma funcionária da CMTU, que preferiu não se identificar, contou que boa parte dos motoristas que paravam no semáforo acaba dando dinheiro para a garota, acreditando que ela realmente estaria grávida e passando necessidades. O ambulante Rodrigo Paulo de Santos, que trabalha no mesmo cruzamento, disse ter flagrado a adolescente ''tirando a barriga'' anteontem.
Ele apontou ainda que uma outra mulher que usava uma cadeira de rodas para pedir esmolas também não seria portadora de deficiência. Uma outra funcionária da CMTU afirmou ter presenciado quando a jovem se levantou da cadeira e deu lugar para outra mulher que a acompanhava.
A reportagem da Folha encontrou a jovem no cruzamento da Rua Pernambuco com JK. Adriana Pereira da Silva, 23 anos, contou que passou a usar cadeira de rodas há um ano e cinco meses, depois de ter a coluna cervical lesionada por tiros. Ela mostrou as marcas e as cicatrizes e afirmou que faz fisioterapia em uma universidade da cidade. ''Só ando com andador e só levanto apoiada em alguém'', assegurou. Adriana afirmou que nunca cedeu a cadeira para outra pessoa mendigar.


