Luciana Pombo
De Curitiba
Um arrombamento de uma loja de som na invasão Terra Santa, na Vila Pompéia, em Curitiba, quase terminou em tragédia. Os menores Sidney, de 13 anos, e Marcelinho, de 15 (conhecido como ‘‘Polaco’’), entraram pelo telhado na loja por volta das 3h30 da madrugada de ontem. Eles levaram dois rádios, dois auto-falantes, um aparelho de som e uma caixa de som e fugiram pela casa do vizinho, quando foram surpreendidos por José Augusto de Souza, de 52 anos. Souza estava dormindo quando escutou o barulho e atirou em direção aos menores. Um dos tiros acertou o ombro de Marcelinho, que teve que ser atendido pelo Siate e encaminhado com urgência para o Hospital do Trabalhador. Sidney foi autuado em flagrante e levado para a Delegacia de Proteção à Infância e à Juventude.
Ontem, o delegado Maurício de Oliveira começou a ouvir as primeiras pessoas envolvidas no caso. O menor Sidney contou como eles planejaram o furto e negou que estivessem armados. Ele foi ouvido e liberado em seguida. O adolescente não tinha passagem anterior pela polícia e responderá por furto qualificado. A dona de casa Ondina Lara da Silva de Souza, 37 anos, mulher do autor dos disparos, disse que o casal estava dormindo quando escutou a movimentação. Souza teria ido ver o que estava acontecendo e teria recebido um tiro. Ela afirmou que o marido apenas revidou.
Apesar da declaração de Ondina, a polícia não conseguiu apreender nenhuma arma com os menores. Souza desapareceu após efetuar os disparos e deverá se apresentar nas próximas horas para explicar o ocorrido e apresentar a arma do crime. Ele está sendo indiciado em inquérito por tentativa de homicídio. O delegado Oliveira pretende ainda ouvir o outro menor, que está internado em estado grave, antes de concluir o inquérito.
De acordo com as informações prestadas ontem pela equipe médica do Hospital do Trabalhador, o tiro pegou no ombro de Marcelinho e perfurou o ouvido. A bala ficou alojada antes do crânio, fazendo uma lesão óssea. Apesar de estar sonolento, o quadro de saúde dele era estável e o menor continuava em observação. Ele ainda corre risco de vida.