Menor muda versão sobre tiro que matou estudante
Menor muda versão sobre
tiro que matou estudante
Lucinéia Parra
No segundo depoimento prestado ontem de manhã na Delegacia do Adolescente, em Maringá, o menor G.C.G, 15 anos, deu outra versão do que teria ocorrido na madrugada do dia 19 de abril, quando o estudante Tadeu Delfino Soares, 14 anos, foi morto pelo terceiro-sargento Antônio Carlos da Silva. Ontem, G.C.G. afirmou que participou de atos de vandalismo junto com Tadeu e com os amigos A.B., 14 anos, e E.M.C., 15 anos, antes de arrombarem uma banca de revista. No primeiro depoimento, G.C.G. disse que teria se encontrado com Tadeu e com A.B. minutos depois que os dois arrombaram a banca de revista.
Segundo G.C.G., os quatro amigos teriam quebrado algumas luminárias da iluminação pública, atirado pedra em uma clínica médica, quebrando a vidraça, e ainda arrombado a banca de revistas. Ele também alterou alguns pontos do primeiro depoimento, confessando que os policiais que o detiveram e também o estudante E.M.C. o levaram para um lugar próximo à Avenida Tuiuti. No primeiro depoimento G.C.G. afirmou que os policiais teriam atirado várias vezes quando chegaram no local. Ontem, conforme o delegado Emerson Fortunato de Abreu, o menor disse que os policiais não efetuaram os disparos.
O depoimento de G.C.G. durou três horas. A imprensa não teve acesso à sala de depoimentos. Os outros dois estudantes, A.B. e E.M.C., deveriam prestar novos depoimentos ontem, mas por causa da demora do depoimento de G.C.C. foram transferidos para amanhã.
De acordo com o delegado, o novo depoimento de G.C.G. confirma o ato infracional dos menores. O delegado disse ainda que vai convocar o médico do Instituto Médico-Legal (IML) para explicar o laudo de necropsia feita na corpo de Tadeu. De acordo com o laudo, havia chamuscamento de pólvora na roupa de Tadeu, o que comprovava que o tiro contra o menor teria sido efetuado a curta distância.
Conforme a versão do menor E.M.C. apresentada na semana passada ao delegado Emerson Abreu, Tadeu estava a cerca de cinco ou seis carros médios (veículos de passeio) de distância do policial. Há indícios de que o disparo não foi a curta distância, disse ontem o delegado. Ainda segundo G.C.G. durante a abordagem policial, nenhum dos dois PMs teriam descido da viatura já atirando contra o grupo de amigos.





