Edinei Ferreira dos Santos, 17 anos, morreu asfixiado na tarde de ontem, vítima de um desmoronamento na Fazenda Itajubá, no Patrimônio Taquaruna, na região sul de Londrina. Desde anteontem, a vítima e outros três operários autônomos trabalhavam na propriedade de Cantilho Vilar, construindo uma ponte de concreto sobre o Córrego Sessenta. Esse é o segundo soterramento registrado em cinco dias, na cidade. Sebastião Ladislau, 27 anos, morreu na sexta-feira, em uma obra de expansão da rede de esgoto, na zona sul. Ele trabalhava para a Construtora Carreira, de Campinas.
No momento do acidente, Edinei dos Santos e o chefe da equipe, Geraldo Alves, estavam dentro do canal - medindo três metros de profundidade por quatro metros de largura - aberto há poucos dias por uma máquina retroescavadeira. Eles começavam a preparar a ‘sapata’ de concreto que daria sustentação aos pilares da futura ponte.
‘‘Eu ouvi estalo e um zunido vindos de dentro do barranco. Gritei para o Edinei sair correndo mas, infelizmente, não deu tempo. Ele estava agachado tentando retirar uma pedra’’, contou Geraldo Alves, que conhecia a vítima desde os seis anos de idade e trabalhava com ela há cerca de cinco anos. Nos dois barrancos do canal não havia qualquer estrutura de madeira para segurança dos operários.
O barranco que desmoronou e matou soterrado o menor estava sendo pressionado por um monte de terra que havia sido retirado do canal pela retroescavadeira. Os trabalhadores não usavam qualquer equipamento para segurança no trabalho, apenas finas botas de borracha. Quando os soldados do Corpo de Bombeiros chegaram à fazenda, que fica a 23 quilômetros do centro de Londrina, nada mais podia ser feito.
Peritos do Instituto de Criminalística da Polícia Civil estiveram no local para colher dados para o laudo que apurará as causas do acidente e liberaram o corpo, que foi levado ao Instituto Médico Legal no início da noite.
O delegado de plantão da 10ª Subdivisão Policial, Roberto Hummig, esteve na Fazenda Itajubá e abriu inquérito para apurar as circunstâncias do acidente e possíveis responsáveis pela morte do operário. ‘‘Pelo que estou vendo, trata-se de uma obra grande, que necessita contar com equipamentos de segurança.’’
O fazendeiro Cantilho Vilar disse considerar o acidente uma fatalidade. ‘‘A equipe de operários já trabalhou aqui antes e é de confiança.’’ Geraldo Alves ajudou a retirar o corpo de debaixo da terra e não resistiu à emoção. ‘‘Tenho 49 anos de idade e trabalho na construção civil há mais de 25 anos. Nunca tinha visto um acidente tão grave; este é o momento mais triste da minha vida, porque sou muito amigo de toda a família do Edinei.’’

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