Um assalto ocorrido na noite de quarta-feira acabou com a morte de um menor de 16 anos. Wellington Fabrício Manuel invadiu uma casa na rua Bernando Sayão, jardim Petrópolis (Zona Sul de Londrina), com mais dois menores. Depois da fuga, eles foram perseguidos e cercados pela polícia. Wellington teria reagido, mas acabou atingido com dois tiros na cabeça e um no braço.
Segundo o delegado Valdir Fernandes, os três menores entraram na casa por volta das 21h30 e renderam os cinco moradores. Armados com um revólver, eles ameaçaram os familiares, entre eles uma menina de cinco anos. Depois, separaram tudo que queriam levar um révolver calibre 38, televisores, rádios e outros aparelhos eletrônicos e colocaram no carro da família, um Volskwagen modelo Polo. ''O valor do roubo foi de aproximadamente R$ 50 mil'', afirmou. Assim que os rapazes fugiram, a família chamou a polícia. Durante as buscas, a polícia localizou o carro próximo a uma chácara no Jardim Piza (Zona Sul).
Quando perceberam o cerco, feito por policiais militares e civis, os três rapazes teriam abandonado o veículo e entrado em uma mata localizada nos fundos da Universidade Norte do Paraná (Unopar). Segundo os policiais, um dos menores, de 13 anos, se rendeu e outro, de 16 anos, conseguiu fugir. Nesse momento, Wellington teria começado a atirar. Os policiais contam que invadiram a mata e acabaram atingindo o rapaz, que morreu a caminho do hospital. O menor que se entregou está apreendido no Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi). Ele é o único sem passagens pela polícia. Wellington tinha várias passagens por porte de armas e furto. O outro menor, que fugiu, também já é conhecido da polícia pelos mesmos crimes.
Familiares dos menores e alguns moradores do local onde ocorreu o cerco criticaram a ação dos policiais. Eles garantem que os assaltantes não teriam atirado. Uma moradora, que não quis se identificar, contou que Wellington foi retirado com vida da mata pelos policiais e que eles não permitiram que o Siate socorresse o garoto. ''Eles colocaram o menino dentro do camburão da Rone (Ronda Ostensiva de Natureza Especial) e dispensaram o Siate'', disse. A informação foi confirmada pelo tenente dos bombeiros, Jair Antônio de Souza. ''No boletim da equipe que atendeu a ocorrência consta que nós fomos chamados ao local e depois dispensados. Os policiais disseram que eles próprios levariam a vítima ao hospital'', afirmou.
A doméstica Márcia Daiane da Silva, tia de Wellington, disse que a família pretende registrar queixa no 4º Distrito Policial. ''Eu sei que o Wellington fez uma coisa errada, mas ele era um ser humano. Há cerca de um ano ele foi jurado de morte por um policial e achamos que eles aproveitaram a oportunidade para acabar com ele'', denunciou.
O delegado-chefe da 10SDP, Jorge Barbosa, ressalta que os menores foram violentos durante o assalto. ''Como forma de ameaçar as pessoas, eles ficavam engatilhando e desengatilhando a arma na cabeça das vítimas, inclusive da criança'', comentou.
A assessoria de imprensa da PM garantiu que será aberto um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a ação dos policiais. A atitude é natural quando existem vítimas durante ações da polícia. Durante o inquérito, familiares, moradores e policiais serão ouvidos. Exames feitos pelo Instituto Médico Legal também serão usados para esclarecer o ocorrido. O departamento de relações públicas da PM informou que caso fique comprovada qualquer dos policiais, os responsáveis serão punidos e podem ser presos e expulsos da corporação.

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