Marcos NegriniDesfecho trágicoSueli Pereira Gonçalves tentou mandar o filho para a casa de uma tia mas o marido não permitiu Pai matou filho de 15 anos e foi morto por outro filho de 12 anos, na noite de anteontem, em Maringá. O duplo homicídio ocorreu por volta das 23 horas, no Jardim Universo, em frente à casa da família. O pedreiro Paulo Gonçalves, 40 anos, matou com dois tiros o filho Daniel Pereira Gonçalves. Na sequência, o pai foi morto pelo filho S.P.G., 12 anos, com um tiro no ouvido.
De acordo com o depoimento da balconista Sueli Pereira Gonçalves, mãe de Daniel e de S.P.G., o marido dela teria começado a discutir com o filho Daniel por volta das 23 horas, no portão de casa. Gonçalves estaria embriagado e queria bater em Daniel.
O filho teria reagido e os dois começaram a discussão. Sueli, que trabalha em um bar na frente da casa da família, teria saído para separar os dois. Ela disse que Daniel teria interrompido a discussão dizendo que não iria dormir em casa para evitar uma tragédia.
Sueli chegou a recomendar que o filho fosse dormir na casa de uma tia. Daniel, segundo ela, concordou, mas pediu para levar algumas roupas e um caderno, mas Gonçalves teria impedido. Os dois começaram nova discussão e desta vez, o pedreiro teria ameaçado o filho. Gonçalves teria dito se o filho entrasse na casa deles, ele atirava. Daniel desafiou o pai, que acabou disparando dois tiros acertando o rosto e abdômen do menor.
De acordo com o delegado adjunto da 9ª SDP, Roberto Fernandes, na tentativa de socorrer o filho que havia levado os tiros, Sueli deve ter esbarrado em Gonçalves. Nesse momento, o revólver calibre 32 usado por Gonçalves teria caído e o filho S.P.G. aproveitou para pegá-lo e disparar contra o pai. ‘‘É uma reação normal do filho defendendo a mãe e o irmão’’, explicou Fernandes.
O menor S.P.G. tentou se defender acusando o vigia noturno Carlos Alberto Fagundes de ter atirado no pai dele. Sueli também teria afirmado no primeiro depoimento prestado na delegacia de Maringá que Fagundes teria atirado no marido. O vigia estava próximo do local do crime. Ele afirmou na delegacia que era inocente e que só tinha se aproximado ao ouvir os gritos de socorro de Sueli. A suspeita sobre Fagundes foi anulada por volta das 11h30 de ontem, com a confissão de S.P.G.
Para o delegado Roberto Fernandes, o menor atirou em defesa da mãe. Segundo Fernandes, a hipótese de ter sido Fagundes o autor do disparo contra Gonçalves era remota porque havia chamuscamento de pólvora na roupa do pedreiro. Além disso, o projétil que ficou alojado no corpo do pedreiro é o mesmo do revólver calibre 32 usado por ele para matar Daniel.
‘‘Um vigia que está a 50 metros de distância, e ainda sendo à noite, é muito difícil de acertar com um tiro no ouvido e ainda haver chamuscamento na roupa da vítima’’, disse.

mockup