Israel Reinstein
De Curitiba
Uma brincadeira de três crianças acabou em tragédia no bairro Jardim Eucaliptos, em Fazenda Rio Grande, município da Região Metropolitana de Curitiba. Brincando com a arma do comerciante Valdir Scheres, o menino D.M., 11 anos, atirou acidentalmente na cabeça do estudante W.F., 8 anos. O incidente aconteceu no fim da tarde de quarta-feira, mas D.M. e W.I.S, 13 anos, envolvidos no crime, ficaram depondo até ontem pela manhã na delegacia da cidade, sendo liberados à tarde pela Promotoria de Infância e Juventude.
‘‘O acidente aconteceu por volta das 18h10, quando as crianças estavam dentro da casa de W.I.S. brincando de videogame’’, disse o delegado José Carlos de Oliveira. Segundo depoimento dos meninos, o disparo aconteceu quando passavam a arma de mão em mão. ‘‘Uma das crianças engatilhou a arma, possibilitando o disparo’’, informou Oliveira, que acredita que o crime não foi intencional.
O delegado pretende incriminar apenas o comerciante Valdir Scheres que é proprietário da arma, um revólver calibre 38, por lesão corporal e omissão de socorro. ‘‘O pai é responsável pela guarda da arma, que deveria ficar fora do alcance da criança’’, afirmou. ‘‘Além disso, quando houve o acidente, ele se evadiu e não prestou socorro ao menino ferido’’, acrescentou. Scheres informou à mulher, Eloína dos Santos Lima, que vai se apresentar hoje à polícia.
Eloína, mãe de W.I.S., considera que o acidente acabou com a adolescência de seu filho. ‘‘Foi uma tragédia, que aconteceu de maneira boba’’, disse. Ontem, depois de ser dispensado pela promotoria, o menino assistia à televisão tentando esquecer o acidente.
‘‘A gente estava brincando no mato, pescando, quando fomos jogar videogame’’, lembrou W.I.S. Dentro de casa, o menino decidiu pegar a arma do pai, que estava guardada entre os cobertores ao lado da cama. ‘‘Meu marido sempre levava a arma para o bar. Não deixava aqui de jeito nenhum’’, afirmou Eloína.
No entanto, anteontem, Valdir foi para Paranaguá e deixou a arma em casa. Com o revólver o menino engatilhou e passou a brincar, estimulando os demais para pegar. ‘‘O W. afirmava para os outros que a arma estava sem balas, tanto que poderia ser colocada na cabeça’’, afirmou Florida Meira, mãe de D.M., que disparou o revólver.
Quando o filho de Valdir Scheres passou a arma para o filho de Florida, o revólver disparou próximo da cabeça de W.F. A bala, que entrou na testa do menino, foi parar na parede oposta a cinco metros de distância. Parte da massa encefálica, ficou espalhada pelo chão. Por causa disso, os médicos do Hospital Angelina Caron, onde W.F. está internado, acreditam que a chance de reabilitação não ultrapassa 10%.
‘‘A gente tentou socorrer W.F.’’, contou W.I.S. Depois de cair no sofá, o menino foi arrastado até a porta. Neste momento, Valdir Scheres chegava em casa. ‘‘Mesmo com carro, ele fugiu do local, sem prestar socorro’’, reforçou o delegado. O menino ferido foi enrolado em um cobertor pelos vizinhos, que o levaram para o Hospital do Trabalhador e depois o transferiram para o Angelina Caron.Garoto de 11 anos atirou acidentalmente no amigo de apenas oito com o revólver que era do pai de outro colega
Mauro FrassonDISPAROW.I.S, 13 anos, estava presente na brincadeira e teve que prestar depoimentos na Delegacia de Fazenda Rio Grande. Dono da arma será indiciado

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