Menor inventou estupro e acusou avôs
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sexta-feira, 28 de maio de 1999
Sid Sauer 
Um exame feito pelo Instituto Médico-Legal (IML) de Cascavel constatou que a menor E.S.V., de 11 anos, que acusava dois avôs, dois tios e outros dois homens de a terem estuprado, é virgem. Com o resultado do exame, a delegada de Ubiratã (96 km a sudoeste de Campo Mourão) Tany Amarante Razzera encerrou o inquérito e pediu a soltura imediata dos dois avôs e do tio da menina que estavam presos desde a noite do dia 19.
A própria menor havia denunciado os avôs e os tios em depoimento à polícia. Os acusados foram presos depois que um laudo assinado por dois médicos de Ubiratã constatou que E.S.V. não era mais virgem há muito tempo. A menor só foi levada para exame no IML porque queríamos saber a data aproximada da primeira conjunção carnal, explicou ontem a delegada, ainda perplexa com a reviravolta do caso.
O resultado do exame chegou à polícia na quinta-feira, mas Tany preferiu deixar os três acusados mais um dia na delegacia temendo que eles pudessem ser linchados. A notícia do estupro havia abalado a cidade, contou. Ontem, quando os três foram soltos, a delegada passou boa parte do dia dando entrevistas na emissora de televisão e nas rádios da cidade para explicar à população que a história toda não passava de invenção da menor.
Fomos feitos de palhaços, disse a delegada. Apesar da mentira para a polícia e da prisão de inocentes, Tany diz que não há como punir E.S.V. porque ela só tem 11 anos. O Estatuto da Criança e do Adolescente não prevê nada a esse respeito, explicou. A delegada não quis revelar os nomes dos médicos que assinaram o primeiro laudo afirmando a menor já tinha perdido a virgindade. Ela ainda está analisando se cabe alguma pena aos médicos.
O avô paterno da menina, J.V., de 63 anos, e o materno, A.S.V., de 68, além de um tio dela, ficaram oito dias na cadeia. Já temendo pela vida deles, a delegada não os colocou junto com os demais presos. Felizmente, muita coisa pior foi evitada, diz Tany. A história havia chegado à polícia depois que a menor contou à professora que achava que estava grávida, o que já havia sido descartado na semana passada.
Os três acusados presos negaram desde o início que tivessem estuprado a menina, mas E.S.V. manteve a versão até o fim. A mãe dela também havia contado à polícia que nunca tinha visto nada, mas a menor acusou a mãe de sempre estar embriagada. A menina, os avôs e os tios moram na Vila Esperança, um bairro pobre de Ubiratã. O inquérito foi encerrado porque não existe nenhuma prova material, explica Tany. Tudo não passou de um grande equívoco.


