Um exame feito pelo Instituto Médico-Legal (IML) de Cascavel constatou que a menor E.S.V., de 11 anos, que acusava dois avôs, dois tios e outros dois homens de a terem estuprado, é virgem. Com o resultado do exame, a delegada de Ubiratã (96 km a sudoeste de Campo Mourão) Tany Amarante Razzera encerrou o inquérito e pediu a soltura imediata dos dois avôs e do tio da menina que estavam presos desde a noite do dia 19.
A própria menor havia denunciado os avôs e os tios em depoimento à polícia. Os acusados foram presos depois que um laudo assinado por dois médicos de Ubiratã constatou que E.S.V. não era mais virgem ‘‘há muito tempo’’. ‘‘A menor só foi levada para exame no IML porque queríamos saber a data aproximada da primeira conjunção carnal’’, explicou ontem a delegada, ainda perplexa com a reviravolta do caso.
O resultado do exame chegou à polícia na quinta-feira, mas Tany preferiu deixar os três acusados mais um dia na delegacia temendo que eles pudessem ser linchados. ‘‘A notícia do estupro havia abalado a cidade’’, contou. Ontem, quando os três foram soltos, a delegada passou boa parte do dia dando entrevistas na emissora de televisão e nas rádios da cidade para explicar à população que a história toda não passava de invenção da menor.
‘‘Fomos feitos de palhaços’’, disse a delegada. Apesar da mentira para a polícia e da prisão de inocentes, Tany diz que não há como punir E.S.V. porque ela só tem 11 anos. ‘‘O Estatuto da Criança e do Adolescente não prevê nada a esse respeito’’, explicou. A delegada não quis revelar os nomes dos médicos que assinaram o primeiro laudo afirmando a menor já tinha perdido a virgindade. Ela ainda está analisando se cabe alguma pena aos médicos.
O avô paterno da menina, J.V., de 63 anos, e o materno, A.S.V., de 68, além de um tio dela, ficaram oito dias na cadeia. Já temendo pela vida deles, a delegada não os colocou junto com os demais presos. ‘‘Felizmente, muita coisa pior foi evitada’’, diz Tany. A história havia chegado à polícia depois que a menor contou à professora que achava que estava grávida, o que já havia sido descartado na semana passada.
Os três acusados presos negaram desde o início que tivessem estuprado a menina, mas E.S.V. manteve a versão até o fim. A mãe dela também havia contado à polícia que nunca tinha visto nada, mas a menor acusou a mãe de sempre estar embriagada. A menina, os avôs e os tios moram na Vila Esperança, um bairro pobre de Ubiratã. ‘‘O inquérito foi encerrado porque não existe nenhuma prova material’’, explica Tany. ‘‘Tudo não passou de um grande equívoco.’’

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