Menor infrator põe culpa na bebida
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de outubro de 1998
Giovani Ferreira 
Uma estatística feita pela Promotoria da Infância e Juventude e pelo Conselho Municipal de Entorpecentes (Comen) revelou que entre 70 e 80% dos menores adolescentes de Ponta Grossa ingerem algum tipo de bebida alcoólica antes de cometer um ato infracional. Isso significa que, dos aproximadamente 1,4 mil menores acompanhados hoje pela Promotoria, mais de mil violaram a lei quando estavam em estado de embriaguez.
A partir desses números o município resolveu declarar guerra contra o alcoolismo entre menores. Há dois meses foi lançada na cidade a campanha Não venda bebida alcóolica para menores.
A proposta é reduzir o índice de consumo de bebida entre crianças e adolescentes. Para isso, explica Márcia Hilgemberg Elias, presidente do Comen, é preciso agir junto aos responsáveis pela venda da bebida alcóolica: os proprietários de bares, boates, lanchonetes e restaurantes.
A campanha, que até então vinha fazendo apenas um trabalho de conscientização, começa a se fortalecer com a participação repressiva da Polícia Militar. Em parceria com o 1º Batalhão da Polícia Militar, o Comen realiza hoje uma espécie de arrastão em centenas de estabelecimentos comerciais que vendem bebida alcóolica.
Onze equipes estarão percorrendo toda a cidade afixando cartazes da campanha e a portaria da Justiça que proíbe a venda de álcool para menores. Sempre acompanhadas por um policial militar, as equipes terão poder de autuação, com base nos artigos 81 e 243 do Estatuto do Menor e do Adolescente, que além de proibir a venda ainda prevê punições - multa e prisão - aos responsáveis pelos bares que estiverem infringindo a lei.
De acordo com Hilgemberg, numa segunda fase a campanha deve se tornar ainda mais repressiva, com a realização de blitz da Polícia Militar.
O promotor da Infância e Juventude de Ponta Grossa, Carlos Alberto Batista, explica que o aumento do consumo de álcool vem sendo registrado não somente entre os adolescentes infratores, mas em vários outros segmentos e classes sociais. Batista diz ter conhecimento de casos absurdos, em que o pai incentiva o filho a beber, e também de crianças de 9 e 10 anos que já ingerem álcool.


