Menor é morto por policial em tiroteio
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terça-feira, 24 de novembro de 1998
Vânia Moreira 
O adolescente Fábio Júnior Medeiros, 17 anos, de Umuarama, foi morto com um tiro na cabeça domingo à tarde no balneário Riacho Doce, no distrito de Elisa, em Xambrê (22 km a noroeste de Umuarama). O garoto foi atingido acidentalmente durante um tiroteio envolvendo dois policiais militares e um menor. Testemunhas afirmam que o tiro que matou Fábio foi disparado pelo sargento da Polícia Militar Francisco Batista Ramos, chefe do destacamento da PM em Xambrê.
O sargento e o soldado Jorge Leias estavam trabalhando à paisana no balneário e tentavam conter uma briga. Os dois policiais foram recolhidos à 2ª Companhia da PM em Umuarama e vão responder a inquérito policial militar. A Polícia deteve ainda o menor S.S., que também efetuou disparos de revólver durante a briga.
Segundo o delegado de Xambrê, Pedro Luiz Fontana Ribeiro, os PMs tentavam controlar uma briga entre banhistas, quando S.S. surgiu armado e disparou cinco ou seis tiros contra os policiais. O sargento Ramos revidou disparando um tiro em direção ao menor, mas o projétil atingiu a cabeça de Fábio Júnior. O adolescente morreu ao chegar ao hospital em Umuarama. Morador no Parque das Jaboticabeiras, Fábio estava no balneário acompanhado da família.
De acordo com Ribeiro, os PMs estavam à paisana para investigar denúncias sobre consumo de drogas no balneário, um centro de lazer com piscina e lanchonete que fica lotado nos finais de semana. No domingo de manhã, eles detiveram A. G.,17 anos, por porte de maconha. Foram informados de que outro menor, S.S., estava armado com um revólver. Revistaram o adolescente, mas não encontraram nenhuma arma com ele. À tarde, durante a briga em que S.S. também estava envolvido, ele sacou a arma, deu vários tiros e fugiu em seguida. O menor foi preso no distrito de Casa Branca quando tentava tomar um ônibus para Umuarama. O revólver não foi encontrado.
O comandante da 2ª Companhia da PM em Umuarama, capitão Ronaldo Maciel Ferreira, disse que os PMs ficarão recolhidos até que o episódio seja apurado. Ainda ontem, o Batalhão da PM em Cruzeiro do Oeste instauraria inquérito e nomearia um oficial para presidir a investigação. As armas dos policiais foram recolhidas e serão submetidas a exames de balística. Por enquanto, temos apenas os depoimentos de testemunhas de que o tiro que matou o garoto partiu da arma do sargento Ramos. Tudo isso, vai ser apurado, informou o comandante da companhia.


