Menor é morto em perseguição policial
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quinta-feira, 17 de outubro de 2002
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Londrina está próxima de igualar o triste recorde de 117 assassinatos registrados no ano passado. Somente entre a noite de anteontem e ontem, três pessoas foram mortas (veja texto nesta página). Uma das vítimas foi o menor Gleisson de Souza Merchor, de 16 anos, que perdeu a vida na tarde de ontem enquanto tentava escapar de um cerco policial após ter praticado um assalto a um salão de cabeleireiro junto com outros três jovens. Numa suposta troca de tiros com uma equipe das Rondas Ostensivas de Natureza Especial (Rone), ele foi alvejado com um tiro no coração. Socorrido pelos próprios policiais, o menor faleceu enquanto era atendido no Hospital da Zona Sul (HZN).
A Folha esteve no local, mas nenhum membro da Rone deu declarações à imprensa. O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Rubens Guimarães, declarou que o menor e outros três jovens teriam assaltado um salão de cabelereiro na Rua Henrique Dominique, próximo ao Residencial Nova Inglaterra (zona sul). A polícia foi acionada e deu início a uma perseguição pelas ruas do bairro.
Os jovens se separaram, três deles conseguiram fugir e Merchor invadiu a residência de uma aposentada na Rua Magnólia. Uma equipe da Rone obteve a informação e cercou o local. Nesse instante, segundo a versão da polícia, ele teria disparado três vezes contra os policiais e, no revide da PM, foi atingido por um disparo na altura do coração.
Essa versão, porém, não se assemelha ao relato da aposentada. Ela disse que estava sozinha quando o menor invadiu sua casa e se escondeu na cozinha. ''Ele entrou e disse que não era para eu falar nada para ninguém. Não tinha nada nas mãos. Eu também não vi nenhuma arma''. A mulher contou que discutiu com ele e falou que ia sair de casa. Ela garantiu que em nenhum momento foi ameaçada por Berchor. ''Ele só entrou e sentou na cozinha'', reforçou.
O comandante da PM assegurou que ele estava armado com um revólver calibre 32, mas a arma não foi mostrada. Ele antecipou que será instaurado um inquérito policial militar (IPM) para apurar a ocorrência. Guimarães comentou o fato de cinco pessoas, do início de setembro até ontem, terem sido mortas por policiais durante perseguições. Ele afirmou que a polícia só atira quando é recebida à bala. ''Foi um revide'', completou. Ele não soube precisar se algum inquérito relativo a essas mortes havia sido concluído até ontem.
Guimarães rebateu as afirmações de que a violência em Londrina está atingindo níveis alarmantes. ''O que existe são determinadas ações violentas e não uma sinalização geral de violência'', respondeu. Por outro lado, lembrou que a polícia tem se esforçado para conter esses atos, principalmente na região oeste área com 40 assassinatos este ano. ''Na última operação que fizemos (no final de semana passado), conseguimos apreender seis armas, apreendemos membros das facções que se rivalizam e com isso evitamos uma situação mais grave'', concluiu.


