Menor é encontrado morto em matagal
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quinta-feira, 10 de abril de 1997
Alexandre Sanches Da Redação 
Dorico da SilvaCobrançaO padrasto de Márcio, João, e a mãe, Inês, com o filho João Carlos: Queremos justiçaCAMBÉ - Foi sepultado ontem em Cambé (13 quilômetros a oeste de Londrina) o corpo do menor Márcio dos Santos, 10 anos, encontrado morto por asfixia anteontem. O garoto estava desaparecido desde segunda-feira de manhã, quando saiu de casa com a bicicleta do irmão, de 4 anos. Márcio estava numa chácara próximo ao Jardim Ana Rosa, onde morava, e foi achado por familiares jogado em um matagal.
Segundo a delegada do setor da Mulher e do Adolescente de Cambé, Geanne Aparecida Fernandes Felício dos Santos, foram encontradas marcas de abuso sexual em Márcio. De acordo com a perícia, ele foi morto onde foi encontrado. O local tem mato alto e é distante de qualquer residência. É muito improvável que alguém tenha ouvido algum grito, explicou.
A polícia quer encontrar pessoas que tenham visto o menor logo depois que ele saiu de casa. Vizinhos disseram que ele retornou da aula para casa e saiu logo em seguida, no final da manhã de segunda-feira. O menino não tinha o costume de sair de casa. Foi registrado o desaparecimento na terça-feira e fomos procurá-lo em vários pontos, inclusive no Parque de Exposição Ney Braga e no Lago Igapó, em Londrina, disse a delegada.
Para Geanne dos Santos, a pessoa que matou o garoto era muito mais forte do que ele. Ela relatou que o peito do menor estava roxo, como se tivesse sido pressionado contra o chão e o corpo apresentava marcas no pescoço. Somente o laudo oficial do Instituto Médico-Legal é que pode explicar como Márcio foi morto, afirma. O laudo deve ser concluído na próxima semana.
Segundo o pedreiro João Devides Filho, 46 anos, padrasto de Márcio, o menor sempre ficava sozinho em casa e era responsável por buscar o irmão de 4 anos na creche, enquanto ele e a mulher, Inês Aparecida dos Santos, 30 anos, saíam para trabalhar. Na segunda-feira, Márico chegou da escola, deixou o material em casa e saiu para brincar. Os vizinhos o viram sozinho.
Na terça-feira, procuramos o garoto pelo bairro, atrás de alguma pista. Pensávamos que pudesse estar vivo. Na região da chácara da Bratac eu vi marcas de pneus de bicicleta na estrada de terra, mas não prossegui na procura, ressaltou o padrasto. Na quarta-feira, diante do desespero da mãe, reuniu um grupo de pessoas e foi para a área onde o corpo foi encontrado.
Um primo de João, identificado como Carlos, foi quem localizou o corpo embaixo de um pé de santa bárbara. Ele afastou minha mulher e as outras pessoas da área e chamamos a polícia. Quando eu vi o menino, ele parecia estar dormindo, contou. Inês não se conforma com o assassinato do filho e pede justiça.
Quem fez isso não pode ficar impune para cometer outros crimes, mesmo que seja um menor. Existem muitas crianças como o meu filho, que não merece um castigo como esse, desabafou a mãe.


