Adolescentes que cumprem medidas sócio-educativas em abrigos e entidades não estão livres da violência depois de ser apreendidos. Casos de ameaça são comuns, mas quase nunca divulgados por medida de segurança. Um caso ocorrido há cerca de três semanas e só divulgado ontem chama a atenção por sua gravidade. Um adolescente que não cumpria medida, mas que era atendido pelo Projeto Murialdo, sofreu ameaças dentro do abrigo.
''Um jovem invadiu o abrigo e mostrou a arma, ameaçando o menor. Tivemos que tirá-lo da cidade no mesmo dia'', afirma a promotora da Vara da Infância e Juventude de Londrina, Edina Maria Silva de Paula.
Segundo ela, a promotoria só é acionada em situações extremas e, por isso, não é possível estimar quantas ameaças os menores sofrem. ''A gente vira o mundo de ponta-cabeça para tirá-los da cidade'', diz a promotora, que também atenta para uma situação comum: ''Geralmente, os menores não se dão conta da situação. Eles ficam três dias fora e retornam achando que não há mais ameaças.''
A coordenadora do Projeto Murialdo, Jaqueline Micali, prefere não divulgar os números de ameaças para garantir a segurança dos menores. Para ela, não existe outra solução a não ser afastar os adolescentes da cidade. ''Em outros casos, eles precisam ficar dentro de casa, sem poder sair para nada'', afirma. O projeto foi criado em 2000 para atender e executar medidas sócio-educativas de prestação de serviços à comunidade e de liberdade assistida.

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