Menor diz que se fingiu de morta para fugir de maníaco
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quarta-feira, 03 de dezembro de 1997
Paulo Ubiratan Londrina 
Ele me bateu, me estrangulou e colocou uma chave de parafusos em meus órgãos sexuais. O homem somente saiu de perto de mim quando pensou que eu estava morta, disse a menor A.P.S., 17 anos, uma das vítimas do maníaco sexual que está praticando uma série de crimes contra prostitutas em Londrina.
O principal suspeito é o pedreiro Sidnei de Moraes, 25 anos, que está foragido. A menor disse ontem que reconheceu o pedreiro através da foto publicada nos jornais.
Apesar da suposta periculosidade do suspeito, as investigações do caso estão se desenvolvendo lentamente por falta de infra-estrutura da Delegacia da Mulher.
A vítima afirmou que foi abordada na Via Expressa por volta das 2 horas da madrugada do dia 26 de novembro.
O homem teria insistido para fazer um programa com ela e, após pechinchar o preço, que de R$ 30,00 baixou para R$ 20,00, seguiram para as proximidades do Estádio do Café no carro dele, um Chevette.
Fizemos sexo. Quando estávamos para voltar, ele tirou o dinheiro que me deu e mais R$ 30,00 que eu tinha guardado na bolsa. Em seguida me mandou sair do carro e ir a pé até o meio de um cafezal. Quando eu estava caminhando, ele veio atrás de mim e começou a rasgar minha roupa, tentar me estrangular e me bater muito, contou.
A menor disse que tentou correr mas o homem a segurava. Apavorada, ela resolveu não reagir mais e o maníaco a colocou entre as pernas. Ele chegou a dormir, mas quando tentei fugir começou a me bater de novo e colocou uma corda em meu pescoço para me enforcar. Daí eu fingi que estava morta. Antes de ir embora ele ficou um tempo me olhando caída no chão. Ao ouvir ele dar a partida no carro ela saiu do local e foi procurar socorro na vizinhança.
Moraes também é acusado de matar Rosângela Cândida da Silva, cujo corpo foi encontrado em uma mata nos Cinco Conjuntos (zona norte). Até agora, existem mais quatro queixas contra o maníaco sexual.
Outra vítima foi uma prostituta espancada em um motel da Cidade, embrulhada em um lençol e jogada no Ribeirão Quati. A vítima disse na polícia que também se fingiu de morta para escapar com vida.
As policiais da Delegacia da Mulher disseram que estão desenvolvendo as investigações. Mas o trabalho esbarra na precária infra-estrutura e na falta de funcionários. Atualmente, a delegada substituta Valdete Testoni, que também atende no 6º Distrito Policial, duas investigadoras e uma escrivã são responsáveis pelas investigações e o atendimento diário de uma média de 25 pessoas.
Além das investigações sobre os crimes supostamente praticados pelo pedreiro, estão em pauta quatro casos de estupro e um de rapto. O caso do rapto envolve uma menor tirada de casa por um ladrão de banco. A família está desesperada e não sabe mais a quem recorrer.


