Menor de rua é baleado na Leste-Oeste
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sexta-feira, 25 de abril de 1997
Luka Morais 
Milton DóriaTestemunhasLeonardo Gomes e P.H.Q. estavam com o menor no momento em que ele foi ferido: autor dos disparos é loiro, alto e estava fardadoO menor J.D.F.N., 15 anos, foi atingido anteontem, por volta das 17h30, por disparo de arma de fogo que teria sido desferido por um policial militar, não identificado até o início da noite de ontem.
O disparo aconteceu na aavenida arcebispo dom Geraldo Fernandes (Leste-Oeste), próximo à rua Ouro Preto (centro). O menor foi levado à Santa Casa com ferimento superficial na região mamária esquerda e com restos de projéteis no cotovelo direito. Após receber atendimento, o menor foi liberado.
A Polícia Civil abriu inquérito para apurar o caso e a Polícia Militar iniciou investigação para localizar o acusado do crime. O menor, que costuma andar com um grupo que vive na rua, estava em cima de um muro, ao lado de um terreno baldio.
Leonardo Aparecido Gomes, 22 anos, P.H.G., 12 anos, e mais duas meninas estavam com ele, no momento em que foram abordados por um PM fardado, descrito como alto e loiro.
Ele mandou a gente descer do muro e foi xingando. Me chamou de f.d.p. e eu disse que f.d.p. éramos nós dois, conta Gomes. Segundo ele, em seguida o policial disparou contra o chão, próximo ao local onde ele estava. O projétil atingiu de raspão seu pé direito.
Em seguida, conta Leonardo Gomes, o PM se dirigiu para J.D.F.N., que ainda estava sobre o muro. Eu disse pra ele descer de lá que o cara ia embaçar. Ele desceu e o policial atirou nele, disse Gomes.
No depoimento prestado na delegacia, as menores disseram que o menor desafiou o PM. Elas disseram que ele abriu a camisa e falou para o policial atirar, disse o delegado do 1º Distrito, Edmo Ermenegildo.
Ferido no peito, o menor saiu correndo e foi em direção a um posto de combustível próximo do local. O frentista Ivan Rocha disse que ele estava com a mão sobre o ferimento e pedia ajuda. Foi levado pelos colegas até o posto de saúde José Belinati, mas fugiu de lá ao saber que seria levado a um hospital. Ele saiu correndo mas foi controlado e levado até a Santa Casa.
Segundo a enfermeira Marta Ferreira, do posto de saúde José Belinati, que fez o curativo ontem no menino, a bala não atingiu superficialmente. Ele teve perfuração, a bala teve que ser removida. Ele recebeu quatro pontos no local, disse.
Os menores que estavam com J.D.F.N. afirmaram que o PM autor dos disparos é parente de Nadir Quiles, proprietária de uma barraca de salgados, localizada na avenida Arcebispo Geraldo Fernandes.
Procurada pela Folha, Nadir Quiles explicou que tem um PM que sempre pára sempre na barraca para tomar refrigerante e café. Nadir disse que não tem qualquer parentesco com o policial e confirmou que ele é loiro e alto, conforme descrição dos menores à polícia. O policial, segundo eles, trabalha no módulo do Jardim Bandeirantes.
A barraca fica ao lado do local onde os menores foram abordados pelo policial mas, segundo a proprietária, ela esteve fechada anteontem. Eu trabalho no motel que fica aqui do lado, e estava lá fazendo o serviço, disse Nadir Quiles.
Os menores costumam andar em grupo nas proximidades do terreno baldio da Leste-Oeste, onde há uma figueira que funciona ponto de carroceiros. No local, ocorre também tráfico e consumo de drogas.
A gente não pode ficar lá porque a polícia não deixa, não pode ficar no mocó que eles vão lá, não pode ficar no muro, vamos ficar onde então?, questionou P.H.G.. Ele mora com os pais no jardim Marabá, mas costuma passar o dia na rua, cheirando cola e praticando furtos.


